Tornando Woodstock realidade

Quatro pessoas são as responsáveis pela idéia que resultou no Woodstock: Artie Kornfeld, Michael Lang, John Roberts e Joel Rosenman. Roberts e Roseman eram jovens ricos que queriam uma idéia que os lançasse como empresários. Kornfield trabalhava na Capitol Records e Lang era um promotor de shows que, em janeiro de 1969, organizou um grande festival (para a época) em Miami, assistido por 40 mil pessoas.

Lang se uniu com Kornfield e juntos eles tiveram a idéia de um outro festival de música, mas precisavam de dinheiro. O advogado (em inglês) deles os levou até Roberts e Roseman e os quatro se conheceram em fevereiro de 1969. Em março, a Woodstock Ventures Inc. (WVI) foi fundada  para organizar o evento. Woodstock, N.Y. foi escolhida porque muitos músicos já estavam lá: tanto Bob Dylan quanto Jimi Hendrix  tinham casas no local, por exemplo.

Por volta de abril, a WVI já tinha um local e começava a fazer barulho com alguns comerciais. Já estava começando também a contratar as primeiras bandas: US$12.000,00 pela Jefferson Airplane; US$12.500,00 por The Who. Embora estes pareçam números ridiculamente baixos hoje, na época eles equivaliam ao dobro do que as bandas recebiam por seus shows, o que nos mostra como os tempos mudaram. Woodstock foi o evento que fez a fama de muitas dessas bandas e que, ao mesmo tempo, mostrou a todos como era grande o apetite do público pela música.

Então, em julho, apenas um mês antes do evento acontecer, o lugar originalmente escolhido baixou leis que proibiram o festival. Os organizadores lutaram e encontraram um novo lugar: um campo de 600 acres da fazenda de Max Yasgur em Bethel, N.Y.

Um monte de hippies espalharam o amor e ouviram uma seqüência lendária de bandas durante o Woodstock
Foto cedida Imprensa associada
Os hippies espalharam o amor e ouviram
uma seqüência lendária de bandas durante o Woodstock

No começo de agosto, aproximadamente 200 mil ingressos tinham sido vendidos antecipadamente, e o que tinha começado como um festival de música para aproximadamente 50 mil pessoas cresceu para 200 mil clientes pagantes, e chegaria a mais do dobro disso.

O problema é que não tinha jeito de aquela área abrigar tanta gente; então, quando os músicos começaram a chegar, o engarrafamento ficou gigantesco. Carros foram abandonados no meio da estrada e as pessoas foram andando para o show.

No dia do evento, aconteceram duas coisas impressionantes: primeiro, o festival se transformou num evento grátis. Simplesmente não tinha jeito de controlar a multidão, então os organizadores resolveram liberar a entrada. A cerca ao redor do local foi pisoteada e sumiu. Segundo, a música rolou totalmente. Com todas as estradas bloqueadas, os organizadores tiveram de alugar helicópteros do exército para trazer os músicos.

Havia também o problema do tempo, que às vezes ficava pavoroso. Na sexta-feira, caiu muita chuva. Os helicópteros estavam sobrevoando a inundação. Centenas de pessoas estavam cortando os pés em garrafas quebradas e em tampas de garrafas. No geral, mais de 5 mil atendimentos médicos foram documentados, muitos deles em razão do uso de drogas.

É difícil acreditar que algo assim poderia acontecer espontaneamente. Era como uma tempestade perfeita: o tempo perfeito no movimento da contracultura, o local perfeito, o zumbido perfeito, a ingenuidade e a inocência perfeitas (imagine tentar agendar tantas bandas de rock atualmente a um custo tão baixo). Foi um perfeito fiasco em quase todos os aspectos, exceto um: a música funcionou. Foi esse sucesso essencial que tornou Woodstock mundialmente famoso.