Em 12 de outubro de 1985, Edward Morgan Blake foi assassinado em Nova York. Seria mais um crime na rotina violenta da grande cidade, não fosse o fato de Blake ser o Comediante, um vigilante que vinha trabalhando para o governo desde 1977. Naquele ano, o Decreto Keene proibiu os "watchmen" de atuarem livremente como vinha acontecendo há décadas. A partir de então eles só poderiam trabalhar sob o controle do governo. Opção que apenas dois vigilantes aceitaram. A maioria preferiu se aposentar, enquanto um deles, Rorschach, continuou a atuar ilegalmente fazendo justiça com as próprias mãos.
![]() Reprodução / DC Comics Rorschach vive dentro de rigorosas regras morais criadas por ele mesmo e é o mais íntegro dos Watchmen |
O ataque aos vigilantes não vem apenas com a morte do Comediante. O poder atômico de Dr. Manhattan teria passado a ser uma ameaça a várias pessoas ao seu redor. A imprensa o acusa de ter provocado câncer naqueles que conviveram próximo a ele. Em crise, ele deixa o planeta para refugiar-se em Marte. Com isso o fator que fazia a Guerra Fria pender para o lado americano deixa de existir. A partida de Dr. Manhattan leva imediatamente os russos a invadirem o Afeganistão. A ameaça de uma Terceira Guerra Mundial, e de um conseqüente holocausto nuclear, aumenta assustadoramente.
![]() Reprodução / DC Comics Reunião dos Minutemen no final dos anos 30 |
Mas eles não eram super-heróis como os da ficção, eram seres humanos com todos os problemas que isso representa. A união no combate ao crime não resistiu às suas loucuras, paranóias, colapsos emocionais, violência. Uma década depois, os Minutemen deixaram de existir como um grupo. O mundo já era outro, os valores que eles defendiam não estavam entre os mais apreciados pelos jovens e eles haviam virado motivo de piadas e investigações. Mas alguns deles continuaram a agir, como o Comediante com seus trabalhos ao lado do governo americano em guerras pelo mundo e em golpes nas repúblicas sul-americanas.
Na saga de “Watchmen” criada por Alan Moore uma trama surpreendente define o futuro da espécie humana nos anos 80. Ele nos mostra os vigilantes, sejam deuses como Dr. Manhattan, paranóicos como Rorschach ou radicalmente lógicos como Ozymandias, como uma representação da jornada humana e do mundo insano ao qual ela teria nos levado. Nessa sombria e complexa visão da realidade, construída a partir de uma infinidade de simbolismos por Moore, os vigilantes não são a salvação.
Já que os "watchmen", que são justiceiros acima da lei e têm um deus entre eles, têm falhado por serem essencialmente humanos, será que algo ou alguém deveria conduzir ou controlar suas ações? A resposta mais racional seria que sim. Mas, quem? Quem, afinal, poderia vigiar os vigilantes?