Introdução sobre Vinicius de Moraes


Vinicius de Moraes

Existem poetas de ofício, que escrevem poemas perfeitamente elaborados, precisos, quase que infinitamente reescritos para atingir a forma definitiva. Grandes poetas perfeccionistas, que persistem lapidando as palavras até tirar diamantes de pedras brutas. Existem poetas de escolas e estilos variados, de livros ou de gaveta, acadêmicos ou experimentais, sintéticos ou prolixos… mas só existe um Vinicius de Moraes, único e múltiplo à sua maneira de criar e viver poeticamente, apaixonadamente, como se vida e poesia fossem feitas da mesma escrita.

Capa de disco de Vinicius de Moraes
Reprodução
A produção intelectual de Vinicius de Moraes incluiu cinema, letras de canções, traduções, peças de teatro, além, é claro, de prosa e poesia


Nascido Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes, no Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913, ele fez sua primeira intervenção poética a partir de seu próprio nome: aos nove anos de idade, sua irmã Lygia o acompanha até o cartório da Rua São José, centro do Rio, para virar Vinicius de Moraes.

Desde cedo, Vinicius vive num ambiente propício à expressão artística. Em casa, convivia com a música por influência da mãe, Lydia Cruz de Moraes, talentosa pianista; e com a poesia escrita pelo pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, apontado por Vinícius como o poeta que mais o influenciou. Em 1924, Vinícius ingressa no Curso Secundário no Colégio Santo Inácio e passa a fazer parte do coro do colégio, além de atuar em peças infantis de teatro.

Em 1927, junto dos amigos Paulo e Haroldo Tapajós, começa a compor e forma um grupo musical, que chega a se apresentar em festas e reuniões nas casas dos colegas. Concluído o bacharelado em Letras, em 1929, Vinícius entra, no ano seguinte, na faculdade de Direito da rua do Catete, e, em 1931, no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR). Em 1933, com 20 anos de idade, forma-se em Direito, termina o Curso de Oficial da Reserva e publica seu primeiro livro: "O caminho para a distância".

Ao longo da vida, a produção intelectual de Vinicius abarcou uma série de gêneros – artigos, cinema, letras de música, partituras, teatro, tradução, conferências e discursos, prosa e poesia, entre outros. Mas, para ele, sua vocação maior sempre foi a poesia:
Em primeiro lugar sou poeta. Todas as minhas outras atividades artísticas decorrem do fato de que sou poeta antes de tudo”.

Conheça nas páginas a seguir a trajetória artística do “poetinha”, que se tornou também um dos mais importantes compositores da canção brasileira.

Bibliografia de Vinicius de Moraes

O Caminho para a Distância (1933)
Forma e Exegese (1935)
Ariana, a Mulher (1936)
Novos Poemas (1938)
Cinco Elegias (1943)
10 poemas em manuscrito (1945)
Poemas, Sonetos e Baladas (1946)
Pátria Minha (1949)
Antologia Poética (1954)
Orfeu da Conceição (1956)
Livro de Sonetos (1957)
Novos Poemas II (1959)
Orfeu da Conceição (1960)
Procura-se uma Rosa (1962)
Para Viver um Grande Amor (1962)
Cordélia e o Peregrino (1965)
Para uma Menina com uma Flor (1966)
Orfeu da Conceição (1967)
O Mergulhador (1968)
Obra poética - Poesia Completa e Prosa (1968)
A Arca de Noé (1970)
História natural de Pablo Neruda (1974)
O falso mendigo (1978)
Vinicius de Moraes - Poemas de muito amor (1982)
A arca de Noé (1991)
Livro de Letras (1991)
Cinema de Meus Olhos (1991)
Roteiro lírico e sentimental da Cidade do Rio de Janeiro e outros lugares por onde passou e se encantou o poeta (1992)
As Coisas do Alto - Poemas de Formação (1993)
Jardim Noturno - Poemas Inéditos (1993)
Soneto de Fidelidade e outros Poemas (1996)
Teatro em Versos (1995)
Querido Poeta-Correspondência de Vinicius de Moraes (2003)
Samba falado (2008)