A gravação

As filmagens tiveram início em setembro e terminaram em dezembro de 2006. A escolha de Fátima Toledo foi fundamental para o sucesso do filme. Um dos primeiros empregos de Fátima foi como professora da Febem, em São Paulo, onde, em 1981, Hector Babenco a descobriu e a levou para o cinema. Desde então, Fátima tranformou-se em uma das poucas preparadoras de elenco no Brasil. Seu método é sempre o mesmo: fazer muitos jogos e exercícios e nunca deixar que o ator leia o roteiro.

O elenco foi dividido em quatro núcleos: os caveiras do Bope, os policiais convencionais, os traficantes e a galera da universidade. No caso dos traficantes, todos eram ex-soldados do tráfico que hoje são rappers.

Os grupos foram treinados separadamente. Wagner Moura foi um dos 20 atores que fizeram o “laboratório”, coordenado por Fátima Toledo e Paulo Storani, ex-Bope e atual secretário de Segurança Pública de São Gonçalo (RJ). Por aproximadamente três semanas, o grupo encarou aulas de tiro e de conduta de patrulha e passou por um treinamento quase tão duro quanto os de um aspirante ao Bope.


Imagem cedida por Belemcom
Crédito: David Prichard

Treinamento do Bope

Diariamente os atores eram transportados para Vargem Pequena, bairro do Rio de Janeiro, onde eram levados a um nível de exaustão parecido com o que os policiais têm no curso de operações especiais. Durante o treinamento, o ator Wagner Moura quebrou sem querer o nariz do instrutor do elenco Paulo Storani.


Imagem cedida por Belemcom
Crédito: David Prichard
Wagner Moura

“O treinamento foi uma coisa que nunca vi na minha vida! O Bope nos treinou como se fôssemos vestir a farda deles para sempre. Nem nosso cotovelo aparecia quando estávamos correndo abaixados dentro da favela. Até hoje os ´soldados´ da ´minha´ patrulha me chamam de Capitão! Quem é do Bope tem um orgulho daquilo, um sentido de grupo, uma união impressionante”.
Wagner Moura, o Capitão Nascimento

Durante as filmagens os atores não decoravam as falas. A Fátima não podia acompanhar as filmagens, para que o texto pudesse ser alterado na hora.

O filme, porém, acabou tendo que lidar com a realidade da qual trata, sendo vítima de seu próprio tema. Durante as filmagens, uma equipe de produção foi assaltada e seqüestrada no Morro Chapéu Mangueira, uma das locações do filme. A equipe foi levada por bandidos armados com granadas e fuzis AR-15 e durante duas horas não se teve notícia da mesma.

Em função do ocorrido, as gravações, que já estavam no meio do filme, pararam por dez dias. “ Estávamos bem no meio do filme. Já havíamos filmado uma parte das cenas naquele morro, e não dava para voltar lá. Tivemos que parar e procurar um lugar parecido com aquela locação. E o cara que alugava as armas não tinha mais nenhuma para fornecer. Tivemos que voltar para o roteiro e mexer, mudar o plano de filmagens. Rolou uma tensão muito grande, porque ninguém sabia quem tinha roubado as armas”, disse Marcos Prado, produtor.

Nunca uma equipe de cinema brasileiro foi submetida a uma pressão tão grande. Alguns não agüentaram e deixaram o filme. Todos, porém, já usavam coletes à prova de balas durante as filmagens. Uma das providências tomadas foi avisar a Associação de Moradores dos locais de filmagem para que eles fizessem o devido acordo com os traficantes.

Houve uma enorme coragem neste filme. Comecei o Tropa com a segunda melhor equipe do cinema brasileiro e terminei com a melhor.”
José Padilha, Diretor

Em seguida, não foi fácil arrumar outras locações. Os traficantes acreditavam que atrás da produção viria sempre a polícia. Foram vários os momentos difíceis durante a filmagem. A equipe chegou a ficar no meio de um tiroteio no Morro dos Prazeres.

Frases


Imagem cedida por Belemcom
Crédito: Rogério Resende

Wagner Moura

O roteiro me deixou chapado! Vi ali um filme revelador, uma verdade, uma coisa nunca vista. Ninguém nunca mostrou os bastidores de uma instituição tão importante quanto a PM e tão entregue às moscas, abandonada. O filme mostra o que eu acho: está tudo errado!”
Wagner Moura, o Capitão Nascimento

 

Trabalhamos no limiar do perigo, vestidos de PMs dentro da favela. Tínhamos que usar um colete que dizia “filmagem”, mas rolava uma tensão, a gente ali e o tráfico nos observando”.
Caio Junqueira, o Neto

 


Imagem cedida por Belemcom
Crédito: Rogério Resende
André Ramiro e Fernanda Machado

"Tropa ficou com a nossa identidade. A equipe era muito jovem, com vontade, brilho nos olhos. Houve uma entrega, todo mundo acabou um fiapo, magro, com olheiras, cansaço total. Mas até a exaustão ajudou no desenvolvimento da minha personagem, por exemplo, que começa o filme bem e acaba destruída”.
Fernanda Machado, a Maria

 

 

Continuo morando em Vila Kennedy, ando de ônibus, de metrô. Mas fui ficando com medo de ser confundido com o personagem. Afinal, ele é PM”. André Ramiro, o André Matias

ELENCO

WAGNER MOURA Capitão Nascimento
ANDRÉ RAMIRO André Matias
CAIO JUNQUEIRA Neto
MILHEM CORTAZ Capitão Fábio
FERNANDA MACHADO Maria
MARIA RIBEIRO Rosane
FÁBIO LAGO Baiano
FERNANDA DE FREITAS Roberta
PAULO VILELA Edu
MARCELO VALLE Capitão Oliveira
MARCELLO ESCOREL Coronel Otávio
ANDRÉ MAURO Rodrigues
PAULO HAMILTON Soldado Paulo
THOGUN Cabo Tião
RAFAEL D´AVILA Xuxa
EMERSON GOMES Xaveco
PATRICK SANTOS Tinho
ERICK MAXIMIANO OLIVEIRA Marcinho
BRUNO DELIA Capitão Azevedo
ANDRÉ SANTINHO Tenente Renan
RICARDO SODRÉ Cabo Bocão