José Padilha, diretor de Tropa de Elite, não é nenhum novato no cinema apesar de nunca ter dirigido um filme de ficção até então. Seu principal trabalho havia sido o documentário “Ônibus 174”, premiado com o Emmy Awards, prêmio máximo da TV norte-americana.
Em 2002, em meio a outros filmes sobre violência urbana, havia um discurso da classe cinematográfica e da crítica de que esse era um assunto esgotado. Mas o cinema brasileiro só mostrava o ponto de vista do traficante, não mostrava o da polícia. Padilha teve a idéia de mostrar justamente o contrário: “Não se consegue explicar a violência sem entender a polícia, que não é um detalhe, é um dos fatores mais importantes da questão”.
Dessa maneira, em 2004, Padilha conversou com Rodrigo Pimentel, doze anos como PM e sete no Bope, com quem já havia trabalhado na criação de “Ônibus 174”, e juntos começaram a escrever o filme. Para polir o roteiro, foi contratado Bráulio Mantovani, roteirista de “Cidade de Deus”.

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Crédito: David Prichard
Capitão Oliveira
Mantovani entrou no projeto como consultor, script doctor, como se diz no mundo do cinema. “O primeiro tratamento que li me impressionou muito. Ali havia um grande filme em potencial. O roteiro, porém, estava um pouco caótico”, disse Mantovani.
De cara, o roteirista cortou 60 das 187 páginas iniciais. O processo foi totalmente reestruturado, principalmente a narrativa. Tudo isso aconteceu durante a montagem. O foco da narrativa foi alterado, em função da excelente atuação do ator Wagner Moura, o Capitão Nascimento. Uma mesma história pode ser contada de muitas maneiras: “Reescrever um roteiro mudando o foco narrativo é trabalhoso. Fazer isso na montagem, sem refilmar é uma loucura. A gente tinha consciência da dificuldade, mesmo assim, remontamos o filme e reescrevemos a narração em off de maneira a transformar um personagem secundário (Capitão Nascimento) em protagonista”.

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Milhem Cortaz
Para compor a trilha original do filme contratou-se Pedro Bromfan. "Tropa de Elite" começa ao som do Rap das Armas (MC Junior e MC Leonardo), regravada com a Bateria dos Acadêmicos da Rocinha. Em seguida vem o baticum marcante do grupo Tihuana.
Os efeitos especiais do filme ficaram por conta de Phil Neilson ("Armagedon", "Assassinos por Natureza"), que preparou e coordenou os atores e dublês nas cenas de ação, e Bruno Van Zeebroeck ("O Retorno de Jedi", "Duro de Matar"), responsável pelo desenho dos efeitos visuais.
Marcos Prado, sócio da Zazen Produções ao lado de Padilha, foi o produtor. O filme foi orçado inicialmente em R$ 8 milhões, depois o orçamento passou para R$ 9 milhões e terminou em R$ 10, 5 milhões. Um dos fatores responsáveis pelo aumento nos custos foi o roubo das armas durante as gravações (leia mais sobre o assunto na próxima página). O roteiro foi vendido para os irmãos Bob e Harvey Weinstein, The Weinstein Company, responsáveis pelo lançamento internacional do filme. Os irmãos Weinstein também lançaram "Cidade de Deus", cuja campanha promocional foi co-responsável pelas quatro indicações ao Oscar.

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Marcos Prado e José Padilha, produtor e diretor do filme
Ficha técnica
| Direção | José Padilha |
| Roteiro | Bráulio Montovani, José Padilha e Rodrigo Pimentel |
| Produção | José Padilha e Marcos Prado |
| Co-Produção | James D´Arcy e Eliana Soárez |
| Música | Pedro Bromfman |
| Direção de Fotografia | Lula Carvalho |
| Montagem | Daniel Rezende |
| Design de Produção | Tulé Peake |
| Figurino | Cláudia Kopke |
| Efeitos Especiais | Phil Neilson e Bruno Van Zeebroeck |
| Preparação de Atores | Fátima Toledo |