Promotores independentes e a execução de músicas no rádio

Desde que a Clear Channel comprometeu-se a desfazer a sua ligação com promotores independentes, o mundo da promoção da música ficou exposto para que todos vissem e julgassem.

O que o público não percebe é que grande parte das músicas tocadas nas rádios (e em suas seleções de melhores) está no ar porque promotores independentes pagam para que elas sejam incluídas no repertório. Por ser ilegal para as gravadoras pagarem as estações de rádio diretamente para tocar suas músicas - ou para as estações de rádio tocarem as músicas pagas por alguém, sem no mínimo divulgar no ar que aquele tempo foi vendido - as gravadoras usam um atravessador, o promotor independente, ou "indie" como é chamado em inglês.

Um "indie" contata um gerente de uma estação de rádio ou dono de um grupo de mídia para que ele seja o seu representante exclusivo. Em troca, o "indie" pagará à estação de rádio, anualmente, entre US$ 75.000 e US$ 100.000 (para mercados médios), a título de "suporte promocional". Isto significa que o "indie" fornece à estação de rádio dinheiro, vale-viagem ou presentes em outras formas (vale-presente ou cartões-dinheiro da American Express) para que eles possam usar em promoção ou qualquer outro uso que escolherem. Como estes "presentes" são usados em promoções, o ato de pagar para tocar fica à margem. A parte da estação neste negócio é adicionar ao seu repertório músicas que o "indie" recomendar. Estes são chamados de "adicionais" pelas pessoas do ramo. A maioria das estações de rádio tem uma média de três "adicionais" por semana.

O "indie" então contata as gravadoras para comunicar que tem um acordo com a estação de rádio. Ele cobra da gravadora uma taxa (geralmente de US$ 1.000) a cada vez que a estação de rádio adicionar um dos títulos da gravadora ao seu repertório. Para a maioria dos singles, as gravadoras pagam cerca de US$ 100.000 a US$ 250.000 para os "indies". De acordo com algumas fontes, se elas não fizerem isto, as músicas não são tocadas. Além disso, existem as cobranças de "manutenção de giro" para manter a música no repertório da rádio. Para evitar problemas legais, os "indies" têm advogados que examinam os discos para estarem certos que a transação está dentro da lei. Os problemas reais acontecem quando, ao invés de usar o dinheiro ou presentes em promoções para os ouvintes, os diretores de programação ou outros funcionários da rádio usam este dinheiro em benefício próprio.

Como uma parte da Lei das Telecomunicações de 1996 (EUA) - em inglês - permitiu o aumento do número de estações de rádio que uma empresa em particular pode possuir em um único mercado e eliminou o limite máximo do número de estações que qualquer empresa pode possuir nacionalmente, tem havido uma intensa corrida por grandes empresas para comprar o maior número possível de estações de rádio. Nos Estados Unidos, atualmente, quatro empresas possuem 62% do mercado de estações de rádio Top 40. Além disso, o mercado vertical foi afetado. Estas mesmas grandes corporações, tal como a Clear Channel, possuem não somente estações de rádio, mas também casas de shows. Isto coloca nas mãos de poucas pessoas muito do controle sobre quais músicas irão formar o Top 40 e o que nós, ouvintes, temos que escutar. A centralização da decisão em relação ao repertório das rádios é típica. DJs e gerentes de estações já não têm o controle que costumavam ter sobre o que é ou não tocado. As pequenas gravadoras que não podem pagar os "indies" têm uma enorme dificuldade para colocar a sua música nos repertórios das rádios.

Enquanto muitas estações negam que os "indies" têm este controle sobre o que elas tocam, outras, como a Radio One, que possui 65 estações de rádio em todo o país, admite que aceita dinheiro destes "indies". No final das contas, isto não é ilegal e é uma outra fonte de renda para eles.

Veja a Joint Statement on Current Issues on Radio (Declaração Conjunta sobre Assuntos Comuns às Rádios - PDF) - em inglês - para mais informações.

A propósito, estas cobranças para promoção independente são tiradas dos royalties dos artistas - não do lucro das gravadoras.