The Spirit: um detetive cercado de mulheres fatais
Belas, sedutoras e más. Essas mulheres fatais passaram a ser uma constante na vida de Denny Colt quando ele voltou do além-túmulo para se tornar “The Spirit”. Na verdade, nos quadrinhos, Colt nem chegou a conhecer o “além”. Sua morte foi uma simulação à base de um anestésico que o permitiu fingir-se de morto, ser enterrado e comover a todos, inclusive ao chefe da polícia, o comissário Dolan. Morto oficialmente, mas bem vivo para os criminosos e as mulheres bonitas, Colt adotou uma simples máscara em torno dos olhos como seu disfarce de herói (e só a adotou graças à insistência de Everett “Busy” Arnold, parceiro de Eisner na empreitada, que acreditava que um herói precisava obrigatoriamente de um disfarce).
Sem carro, morando num cemitério, sem super poderes ou armas e contando apenas com a ajuda do jovem negro Ebony White, Spirit era um cidadão comum imbuído da heróica missão de combater o crime em Central City, a versão em quadrinhos que Eisner deu para
Nova York (que já havia sido chamada de Metrópolis, nas aventuras do
Super-Homem, e de Gotham City, nas do
Batman). Influenciado pela literatura de Guy de Maupassant, Gogol e Tchecov, Eisner construía tramas que falavam do cotidiano, de pequenos romances e dramas humanos misturados a fatos excepcionais do universo dos super-heróis. E nem sempre Spirit era o personagem central das historinhas.
 Reprodução
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Mesmo assim, sem nenhum atributo dos outros super-heróis, como a riqueza de Bruce Wayne e Tony Stark ou a força sobre-humana de Clark Kent, Denny Colt era charmoso o suficiente para viver rodeado de belas mulheres. Algumas interessadas em amá-lo, outras em matá-lo. Entre elas estão Ellen Dolan, filha do comissário de polícia e eterna namorada de Spirit, Sand Saref, a amiga de infância e primeira paixão de Colt que vive envolvida em esquemas criminosos, e a atraente Silken Floss, que nos quadrinhos é uma física nuclear e cirurgiã. Há também P’Gel, a típica mulher fatal, que tenta seduzir Spirit a levar uma vida criminosa ao lado dela.
Um dos charmes de “The Spirit” é que apesar de fazer um mergulho no submundo da cidade grande suas histórias de mistério e suspense são leves e muitas vezes engraçadas. A ambivalência moral das mulheres que cercam o herói é outro diferencial das aventuras. Colt fica muitas vezes “hipnotizado” pela beleza feminina e deixa as criminosas saírem livres. Apesar disso, a mensagem que predomina ao final é que o crime não compensa.
 Reprodução Capa de "Spirit Archives" da DC Comics
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“The Spirit” foi recebido não como um gibi, mas como um romance ilustrado pela crítica, que o considerou muito mais do que uma “simples” história em quadrinhos. Eisner mostrou o quanto foi visionário na construção dos personagens e nos recursos cinematográficos que importou para a arte dos quadrinhos. Ao contrário dos super-heróis em ascensão naquelas décadas, Spirit foi concebido como um herói totalmente humano, um cidadão comum da classe média, o que fez o leitor se identificar com seus problemas e seu jeito de ser, inclusive na sua paixão pelas belas mulheres, boas ou más. E, como era de se esperar, há também o Dr. Octopus, um arquiinimigo que todo herói que se preza merece ter.