Introdução a The Spirit


The Spirit

Denny Colt vale mais morto do que vivo. Literalmente. Ou melhor, “quadrinhalmente”. Ele é o detetive que voltou do “além” para combater o crime em Central City, nos anos 40. Desde então, ficou conhecido como “The Spirit” (O Espírito). Sua aparição o tornou um dos mais importantes heróis das histórias em quadrinhos. Não só por estabelecer um novo padrão de super-herói, sem superpoderes, bem humano e bastante mulherengo, mas sobretudo pelas inovações que trouxe para a linguagem e a estética das HQs.

The Spirit de Will Eisner
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Criação antológica do genial Will Eisner, “The Spirit” é na opinião de autoridades no assunto um divisor de águas na história das histórias em quadrinhos, assim como foi “Cidadão Kane” na trajetória da sétima arte. Para Álvaro de Moya, um dos maiores especialistas mundiais em quadrinhos, “The Spirit” foi revolucionário ao introduzir nas historinhas fusões, cortes e tomadas de cenas, além de ângulos insólitos e o uso de sombras. Recursos cinematográficos que invadiram a arte dos quadrinhos para ficar.

Página de edição americana da versão original de The Spirit
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Página de edição americana da versão original de "The Spirit"

Demorou, mas toda essa afinidade entre os quadrinhos de “The Spirit” e a arte cinematográfica levou a obra para a telona. O herói que usa como disfarce apenas uma máscara em volta dos olhos ganhou uma versão na visão de Frank Miller, outro genial artista dos quadrinhos. Responsável assim como Eisner por uma revolução nos comics com seu “Batman – O Retorno do Cavaleiro das Trevas”, Miller adaptou e dirigiu a versão para o cinema de “The Spirit”. O herói ganhou ares mais sombrios, com uma ênfase ainda maior nas características expressionistas e do cinema noir que já o caracterizavam nas HQs.

A genialidade de Will Eisner

Em 1940, Will Eisner (1917-2005) foi convidado a criar um gibi que mudaria sua história. E a das histórias em quadrinhos. Eisner já tinha os quadrinhos como ganha pão desde 1936 e algumas de suas criações, como os piratas de “Hawks of the Seas”, já mostravam sua genialidade. Mas a grande chance veio com o convite para criar, escrever e desenhar um gibi de 16 páginas que seria encartado de forma inédita como suplemento dominical nos principais jornais norte-americanos. É nesse gibi que ele começa a publicar as aventuras do herói mascarado “The Spirit”, que se estenderiam por doze anos. No final dos anos 70, Eisner voltou a inovar ao lançar “Um Contrato com Deus”, obra que é considerada a primeira graphic novel da história dos quadrinhos. Filho de judeus que cresceu observando a rotina dos imigrantes no bairro do Brooklyn em Nova York, Eisner usou esse material autobiográfico em boa parte de sua produção. As obras-primas criadas por ele foram decisivas para o reconhecimento dos quadrinhos como a nona arte. Entre elas, estão “O Edifício”, “Avenida Dropsie”, “Pequenos Milagres”, “Nova York: a Grande Cidade”, “No Coração da Tempestade”, além é claro de “The Spirit”. Sua importância para a arte dos quadrinhos foi tal que a mais cobiçada premiação do gênero no mundo leva seu nome, o Eisner Award.

Conheça nas páginas a seguir mais sobre essa obra-prima da nona arte que, assim como Batman, o Homem-Aranha e Watchmen, também chegou ao cinema.