Para obter o singular visual retrô-futurista de “Speed Racer”, uma espécie de realismo amplificado, todas as seqüências de ação envolvendo atores foram filmadas em estúdio diante de uma tela verde, para que pudessem depois ser fundidas a material gerado ou manipulado em computador. O estúdio fez John Goodman lembrar de um palco simples em uma versão de “Our Town” na qual ele trabalhou, encenada no porão de uma igreja e sem cenário ou adereços de cena; ele diz que isso o ajuda a se concentrar mais em sua atuação.
Mas as filmagens em plano próximo incomodaram Hirsch. Ele e os demais pilotos passaram muitas horas sentados nos cockpits de carros afixados a uma plataforma móvel de filmagem conhecida como gimbal. “Eles sacodem você para todo lado nesse simulador, que é muito quente; os holofotes estão acesos, e você não pode se mexer por conta do cinto de segurança. A frustração faz com que você tenha vontade de arrancar tudo”, diz Hirsch, que se machucou algumas vezes durante as filmagens. “Mas Matthew Fox teve mais problemas”.
Em determinado momento, Ricci sofreu tantos solavancos que ficou enjoada e teve de descer para vomitar. Ela insiste em que se divertiu no posto de pilotagem, ainda assim.
![]() Foto cortesia da Warner Bros. Pictures Emile Hirsch como Speed Racer, em alta velocidade durante uma corrida do filme “Speed Racer” |
Filmar no ambiente controlado do estúdio na verdade economiza custos, diz Silver. “E tudo foi filmado em modo digital. Não vai demorar muitos anos para que ninguém mais use película”, prevê. “Fazer filmes será bem mais fácil”.
Mesmo assim, ele proclama que “Speed Racer” foi um “pesadelo técnico” em termos de realização. Afinal, havia mais de duas mil tomadas de efeito que foram criadas ou manipuladas por software de computador.
“Cada quadro sofreu alguma alteração, com acréscimo de textura e cor, a fim de compor um universo uno”, diz John Gaeta, o supervisor de efeitos especiais, veterano dos filmes “Matrix”. Ele aponta que a maioria das tomadas “passou pelo mais sofisticado tratamento de colorização digital que já foi desenvolvido”.
Gaeta começou as discussões estratégicas sobre o projeto com os Wachowski em março de 2006, e elas levaram alguns meses. Embora eles desejassem fidelidade ao espírito do desenho original, decidiram “seguir integralmente a rota expressiva e estilística do animê, e precisavam explorar que aparências teriam as cenas de ação, e criar um equilíbrio entre realismo e espetáculo”.
Os carros não eram os únicos elementos acrobáticos em “Speed Racer”. Diversos atores tiveram de realizar algumas cenas mais arriscadas. Matthew Fox fez ele mesmo todas as suas cenas de ação. Emile Hirsch se divertiu nas sessões de treinamento com os coordenadores de dublês Chad Stahelski e David Leitch, veteranos dos filmes “Matrix”. Mas John Goodman estava preocupado com o desgaste físico. “Sofro de forte artrite nos ombros e joelhos”, ele explica. “Quando trabalho em uma briga de tela, tenho de admitir que é preciso baixar um pouco a bola, porque senão alguém mais pode se machucar”. |
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