Som analógico

Antigamente, o mecanismo para colocar som no filme era muito simples. O Vitaphone, usado no filme "O Cantor de Jazz", consistia em um toca-discos reproduzindo uma gravação, esse sistema era conhecido como som-em-disco. A gravação do som era feita depois que o filme estava pronto e reproduzida em uma plataforma giratória que sincronizava o som com o filme ao controlar a velocidade do projetor. Era um modo simples e efetivo de adicionar som ao filme.


Toca-discos óticos
No começo dos anos 30, o sistema som-em-filme ou som ótico começou a substituir o sistema som-em-disco como tecnologia para a adição da trilha sonora. Um dado interessante sobre o som-em-filme é que o som fica uma série de quadros à frente das imagens correspondentes. Isso acontece porque o som do toca-discos, ou do leitor do som, é colocado acima ou abaixo das lentes do projetor. Muitos toca-discos analógicos ficam na base (abaixo das lentes), enquanto os toca-discos digitais ficam normalmente na cobertura (presos à parte superior do projetor). Um filme teste é rodado para calibrar o som à imagem. Feita a calibragem, o projecionista pode juntar o filme, sabendo que o som estará sincronizado corretamente.

O sistema som-em-filme usa uma das duas tecnologias:

  • ótica
  • magnética

O método mais comum é o processo ótico, onde uma linha transparente é gravada junto com o filme. A largura da faixa varia de acordo com a freqüência do som. Por essa razão, é conhecida como trilha sonora de área variável (variable-area soundtrack). À medida que o filme roda na unidade pickup de áudio, uma lâmpada excitadora fornece uma fonte de luz, concentrada na lente entre a linha transparente. A luz que passa pelo filme brilha numa fotocélula.

A fotocélula transforma a luz em corrente elétrica. A quantidade de corrente é determinada pela quantidade de luz recebida pela fotocélula. As partes mais largas da faixa permitem mais luz, fazendo com que a fotocélula produza mais corrente. Quando a largura da faixa transparente muda a quantidade de luz, o resultado é uma variação de corrente elétrica que pode ser mandada para um pré-amplificador. O pré-amplificador aumenta o sinal e o manda para o amplificador, que distribui o sinal para os alto-falantes.

Uma variação desse método é conhecida como trilha sonora de densidade variável (variable-density soundtrack). Este método utiliza uma faixa que varia em transparência ao invés de largura. Quanto mais transparente for a faixa, mais luz brilha através dela. O maior problema com este método é que a granulação natural do filme pode criar muito ruído.

Nos anos 50, a gravação magnética tornou-se popular. O som magnético colocado no filme tinha várias vantagens sobre o método óptico:

  • era estéreo enquanto o óptico era mono;
  • tinha melhor qualidade de som.
Mas havia desvantagens também:
  • tinha de ser acrescentado ao filme depois que este já estivesse pronto;
  • era mais caro;
  • não durava tanto quanto o óptico;
  • estragava facilmente.

Mesmo com a gravação magnética fornecendo seis canais de som para o filme, o custo era muito alto. Experiências com faixas óticas estéreo haviam sido feitas, porém os resultados foram insatisfatórios, pois havia muitos ruídos. Em 1965, quando o Dolby Laboratories apresentou o Dolby A, um método de redução de ruído originalmente desenvolvido para gravações profissionais, a indústria do cinema viu uma oportunidade de reinventar as trilhas óticas.


O Dolby A quebra o sinal de som que entra em quatro pequenas faixas. A técnica chamada de pré-ênfase aumenta o sinal de cada faixa para mais de 10 decibéis. Cada sinal viaja por um compander, onde o sinal é comprimido para obter-se mais eliminação de ruído de níveis baixos, em seguida, o sinal é expandido novamente. Estes sinais são unificados, e o resultado é um som mais limpo.

A principal deficiência do Dolby A é que a freqüência de resposta é muito estreita, resultando em uma variação menos dinâmica. A redução de ruído Dolby evoluiu com o Dolby SR Spectral Recording, processo otimizado que reduz o ruído duas vezes mais que o Dolby A.

Em 1971, o filme "Laranja Mecânica" (A Clockwork Orange) usou o Dolby A num sistema som-em-filme magnético e obteve grande sucesso. Eastman Kodak trabalhou com a RCA e com a Dolby nos anos 70, para desenvolver a área variável estéreo (SVA), um método óptico que oferecia som estéreo usando duas linhas de tamanho variável alocadas no espaço originalmente desenvolvido para uma linha.