Apesar de a televisão ter iniciado suas transmissões no começo da década de 30, apenas após a Segunda Guerra Mundial as famílias começaram a substituir o rádio. Conforme a televisão se tornou popular, as redes começaram a buscar conteúdo. A CBS contratou um gerente de desenvolvimento de programação, Worthington Minor, que buscou novas idéias. Como as curtas comédias de situação do rádio eram populares entre a audiência e os patrocinadores, Minor decidiu que o formato se adaptaria bem à televisão. Ele ofereceu à Gertrude Berg, a criadora de "The Goldbergs" a chance de trazer seu programa do rádio para a televisão, em 1949.

"The Goldbergs" era um sucesso de rádio e um antigo show de variedades que estreou em Catskills em 1925. O programa girava em torno da vida dos imigrantes judeus Molly e Jake Goldberg, e seus dois filhos. Os episódios, ambientados no apartamento dos Goldberg, no Bronx, geralmente mostrava e solucionava um dilema da família ou dos amigos. Enquanto resolvia o problema, Molly consultava ou interagia com personagens da vizinhança, distribuindo conselhos, receitas (em inglês) e muito humor. Futuros programas repetiriam esse estilo.
Seguindo o caminho de Minor e Berg, muitas outras redes de televisão atraíram estrelas do rádio para a nova mídia. "The Aldrich Family", "The Life of Riley" and "Lum and Abner", todos estrearam em 1949. Enquanto alguns programas alcaçavam um sucesso maior que outros, uma coisa era certa: as pessoas queriam ver mais.
Em 1950, o executivo de programação Harry Ackerman decidiu adaptar o programa de rádio "My Favourite Husband" para a televisão. Ele conversou com a protagonista do show, Lucille Ball, sobre criar uma versão televisiva. Ela concordou em fazer o programa se o seu marido na vida real, Desi Arnaz, também participasse. Apesar de a maioria dos programas populares na época serem sitcoms étnicas ("The Goldbergs", "Mama" e "Amos and Andy"), os executivos dos estúdios viam como um obstáculo a idéia do programa mostrar um músico cubano como o marido de uma típica mulher americana.
Ball decidiu fazer a sitcom por conta própria. Ela e Arnaz formaram uma produtora, Desilu, e testaram seu show viajando com um teatro de variedades de 20 minutos. Após uma turnê de sucesso, fizeram um roteiro piloto que não foi aprovado. Ao ver o piloto, seu amigo, o compositor Oscar Hammerstein II, sugeriu que os personagens fossem menos parecidos com eles e mais comuns, mais relacionáveis com a audiência. Entraram Lucy MacGillicuddy Ricardo e Ricky Ricardo. Completando o elenco estavam Fred e Ethel Mertz, seus senhores e vizinhos.

Assim como "The Goldbergs", "I Love Lucy" ajudou a ditar o tom e o estilo das sitcoms americanas. Orientada parte pela família e amigos, e parte pelo trabalho, muitos dos diálogos de Lucy giravam em torno da solução de um dilema. Diferentemente de "The Goldbergs", esses dilemas eram freqüentemente absurdos e fortemente baseados na comédia física, um dos talentos de Ball.
"I Love Lucy" também ajudou a determinar o visual e o clima das sitcoms. Enquanto era apresentado em frente a uma platéia e exibido nas noites de segunda-feira assim como "The Goldbergs", "I Love Lucy" era filmado em Hollywood em vez de em Nova York. Devido ao fato de Arnaz e Ball não gostarem do cinoscópio, o processo utilizado por programas com transmissão ao vivo, eles filmavam sua sitcom diretamente. Arnaz ajudou a desenvolver um set de trabalho que poderia acomodar até quatro câmeras para cada episódio. Esses episódios não eram transmitidos ao vivo, mas sim editados e liberados para outras estações o exibirem no horário mais apropriado.
Mas o que faz de uma sitcom uma sitcom? Na próxima seção veremos a sitcom sob o ponto de vista de um escritor ou um produtor.