A cozinha paulistana é uma mescla de várias culturas. Os sabores saíram, inicialmente, das panelas dos índios nativos, dos portugueses e dos escravos africanos, nos tempos do descobrimento e do Brasil colônia. Depois, início do século passado, a já republicana cozinha paulistana começou a receber a influência dos imigrantes italianos, que vieram para trabalhar nas lavouras de café e na indústria e trouxeram com eles as pizzas, a macarronada, as polpetas, as bracciolas e as berinjelas em conserva –além, é claro, da tarantela, a música tradicional que anima até hoje os almoços e jantares das cantinas italianas. Em seguida vieram os japoneses, com os pastéis “chineses” que viraram a iguaria mais consumida nas feiras paulistanas, e os libaneses, com seus quibes e esfihas.
Ao longo do século, foram-se juntando democraticamente a esses sabores outros, de outras nacionalidades: franceses, gregos, árabes, judaicos, tailandeses, vietnamitas, mongóis, mexicanos, peruanos, australianos, ingleses, indianos... Se fôssemos listar aqui os tipos de culinária existentes na ex-terra da garoa, seria mais fácil relacionar todos os países do mundo. Isso, sem contar, a cozinha regional, que mistura pitadas de Minas Gerais e do interior de SP com porções do Norte e do Nordeste e colheradas do Sul e do Centro-Oeste.
Mas a culinária paulistana traz outra característica além da diversidade: os pratos feitos, ou pê éfes: além do tradicional comercial (arroz, feijão mulatinho, bife, batata frita e salada de alface), são servidas em pequenos restaurantes, bares e quilos, uma especialidade a cada dia da semana:
Culinária mundial
A diversidade da culinária paulistana pode ser observada em seus restaurantes. Se você está com vontade de comida chinesa, São Paulo tem. Se quer comida tailandesa, São Paulo também tem. Quer um fast food americano? Em qualquer shopping da cidade tem. Uma carne argentina, um prato espanhol, uma receita australiana, uma iguaria mediterrânea? A cidade, é claro, tem. Abaixo, alguns exemplos da culinária trazida pelos imigrantes:
Cozinha italiana
![]() www.brauncafe.com.br A padaria Basilicata, no Bexiga, vende de pão a vinho |
As padarias italianas, pequenas e apertadas, como a Basilicata, a São Domingos e a Italianinha atraem hordas de paulistanos ávidos por pães italianos, roscas recheadas, patês, sardelas, berinjelas e abobrinhas em conserva, linguiças calabresas caseiras, salames, azeitonas, queijos, vinhos... Quem entra numa dessas lojas fica se perguntando como é possível caber tanta coisa em tão pouco espaço e como é possível sair de lá carregando tanta guloseima que nem se tinha a intenção de comprar. É no Bexiga também que está localizada uma das mais tradicionais pizzarias da cidade, a Esperanza.
![]() Reprodução/Alimentari Prato preparado no Alimentari |
Cozinha portuguesa
Dos colonizadores portugueses, a cozinha paulistana herdou os cozidos de feijão branco e grão de bico com carnes de aves e porco, os pratos à base de bacalhau (principalmente na Páscoa), as muitas receitas com batata, as alheiras e açordas e os doces (arroz doce, ambrosia, fios de ovo, baba de moça, pastel de belém, papo de anjo). Na lista dos restaurantes portugueses de São Paulo estão os requintados Antiquarius e A Bela Sintra (nos Jardins), os aconchegantes A Casota (Moema), Casa Portuguesa, Girassol do Alentejo e Ora Pois! (Vila Madalena) e os tradicionais Rei do Bacalhau (Pinheiros) e Bacalhau do Porto (Ipiranga). Das cozinhas desses restaurantes saem pratos como o Bacalhau Minhota com batatas ao Murro, Bacalhau ao Zé do Pipo e Trouxas de Ovos.
![]() Reprodução/A Casota Bacalhau Minhota com Batatas ao Murro, da Casota |
Cozinha libanesa
![]() Reprodução/Casa Garabed O Quibe Cru da Casa Garabed |
Cozinha japonesa
Os japoneses chegaram aqui um pouco depois dos italianos e antes da Segunda Guerra, trazendo sua cultura milenar e hábitos alimentares saudáveis (peixes, arroz e muita verdura e legume são a base da dieta japonesa). Apesar de a comida japonesa ser hoje quase uma instituição na cidade (sushis, sashimis, temakis e yakissobas), foi com uma receita chinesa que os japoneses conquistaram o paladar paulistano quando aqui chegaram: o pastel que hoje é consumido nas feiras livres da cidade. Sim, aquele pastel sequinho e crocante vendido às pencas em qualquer feira-livre é uma receita originalmente chinesa. Tanto que centenas de paulistanos acordam um pouco mais cedo aos sábados só para apreciar o pastel da Barraca do Zé, na feira do Pacaembu (o Zé que dá nome à barraca, apesar do nome português, é japonês), eleito várias vezes o melhor da cidade.
O Bairro da Liberdade é o reduto dos japoneses, e é ali que se encontram os restaurantes mais tradicionais, como o Aska, o Kinoshita, o Sendai, o Sushi Lika e o Sushi Yassu. Outras casas pipocam pela cidade, privilegiando a cozinha clássica e a contemporânea: Rangetsu of Tokyo (Pinheiros), Shintori (Cerqueira César), Sushi Kiyo (Paraíso), Koyama (Bela Vista), Kinu (Brooklin) e Jun Sakamoto (Pinheiros). Seja qual for a sua escolha, prepare o bolso. A boa comida japonesa não é barata.
Cozinha francesa
![]() Reprodução/La Casserole O Gigot aux soissons, do La Casserole |
Há ao menos uma padaria tipicamente francesa, a Deli Paris. Ninguém sai de lá levando a baguete debaixo do braço sem embrulhar, mas é possível experimentar deliciosos pães franceses, lanches típicos como o croque monsieur e o croque madame, e doces como o macarrón. Na seara dos restaurantes as tentações ficam por conta do Freddy (Itaim Bibi), de La Brasserie Erick Jacquin (Higienópolis), do Taste Vin (Vila Olímpia), do Tanger (Vila Madalena), Lola Bistrô (Vila Madalena), Le Coq Hardy (Itaim Bibi), La Tartine (Consolação), La Cocagne (Itaim Bibi), La Cuisine du Soleil (Bela Vista) e La Casserole (Arouche).