O samba contemporâneo: sambalanço, tradição e pagode

No final dos anos 60, quando o rock explodia em todo o mundo e a Jovem Guarda lançava uma versão nacional pop para o gênero, Jorge Ben criou uma batida diferente de samba que daria origem ao sambalanço. Variação que misturava o autêntico ritmo nacional com rock, jazz e soul. Novidade que influenciou vários músicos e bandas, como Wilson Simonal, Tim Maia, Luiz Vagner, Incríveis, Mutantes, Fevers a tocarem o samba com este novo suingue.

Paulinho da Viola
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Paulinho da Viola, um dos mais respeitados sambistas
das últimas décadas, em uma apresentação na TV nos anos 70


Nos anos 70, alguns compositores como Paulinho da Viola e Martinho da Vila, vindos das escolas de samba, lançaram-se no mercado com sucesso. Conseguiram colocar em evidência uma corrente mais tradicional de samba, ligada às comunidades negras dos morros e à periferia carioca. No final da década surgiu ainda no Rio de Janeiro um tipo de samba com andamento mais rápido e agressivo, o pagode. Ritmo de festa que ganhou espaço nas reuniões de sambistas em vários pontos da cidade, com destaque para nomes como Almir Guineto, Zeca Pagodinho, grupo Fundo de Quintal, Jovelina Pérola Negra e Jorge Aragão.


Zeca Pagodinho
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Zeca Pagodinho é um dos mais famosos
representantes do samba desde os anos 90


Pagode de raiz que na década de 90 sofreu concorrência cada vez maior de uma variação mais romântica e extremamente comercial. Estilo que atingiu grandes vendagens no mercado nacional e também projeção no exterior e que continua forte atualmente.

Hoje convivem no mercado e também fora dele, nos quintais, bares, nas quadras e outros espaços, as correntes tradicionais de samba com as diversas variações e experimentações surgidas durante toda a história do ritmo. E parece haver espaço ainda para novas gerações tentarem todo tipo de invenção, com a mistura de outros ritmos musicais, como rap, tecno, bossa-lounge.

Samba Social Club
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Lançamentos internacionais têm mostrado o samba ainda
como a marca registrada da cultura brasileira


As variações do samba

Samba comum: gênero original a partir do qual surgiram todos os outros, com a presença de surdo ou tantan, cavaco, pandeiro e violão. Fala de todos os tipos de temas. Estilo presente nos trabalhos de Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Wilson Moreira.

Partido alto: caracterizado por uma batida de pandeiro altamente percussiva, com uso da palma da mão. Tocado com instrumentos de percussão (surdo, pandeiro e tamborim) e acompanhado por cavaquinho e/ou por um violão. Os sambistas “disputam” na improvisação de versos.
Estilo presente nos trabalhos de Candeia, Jovelina Pérola Negra, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Almir Guinéto e Bezerra da Silva.

Pagode: tipo de samba que introduziu o banjo, o tantan e o repique de mão. Normalmente cantado por uma pessoa acompanhada por cavaquinho, violão e pelo menos por um pandeiro. O tema gira em torno do amor e de situações engraçadas.
Estilo presente nos trabalhos de Katinguelê, Sorriso Maroto, Jeito Moleque e Fundo de Quintal.

Neo-pagode: mistura de pagode com axé-music, apresenta elementos como tamborins baianos, agogô e berimbau metalizado.
Estilo presente nos trabalhos de É o Tchan, Gera Samba, Terra Samba, Molejo, Inimigos da Hp, Exaltasamba.

Samba de breque: variação extinta, tinha as músicas intercaladas por diálogos e temas divertidos.
Estilo presente nos trabalhos de Moreira da Silva e Germano Mathias.

Samba-canção: estilo influenciado pelo bolero, com ritmo mais lento e letras que vão do romântico ao trágico, apelidada de música de “fossa”.
Estilo presente nos trabalhos de Noel Rosa, Heitor dos Prazeres, Ângela Maria, Alexandre Pires, Nora Ney, Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, Agnaldo Rayol, Dolores Duran, Maysa Matarazzo e Lindomar Castilho.

Samba-exaltação: caracterizado por letras ufanistas que faziam propaganda do Brasil.
Estilo presente nos trabalhos de Ary Barroso.

Samba-enredo: gênero criado pelas escolas de samba para acompanhar os desfiles. Cantado por um ou mais intérpretes, é acompanhado por um cavaquinho e pela bateria.

Samba-reggae: estilo que mistura batidas latinas, instrumentos de samba, como pandeiro e tambor, guitarra ou viola eletrônica no lugar do cavaquinho. Temas praianos.
Estilo presente nos trabalhos de Daniela Mercury, Margareth Menezes, Olodum e Timbalada.