Segundo Roy Shuker, a música independente, assim como a música alternativa, está associada a um conjunto de valores musicais, destacando-se a autenticidade, algo completamente oposto ao que está em vigor. Ele cita que a música independente é considerada uma música crua e imediata, enquanto a música “industrializada” é vista como uma música “produzida”. Depois de todos os caminhos traçados pelo rock, ao longo de pelo menos cinco décadas de existência, a trilha que ele começou a percorrer no novo milênio foi o de um rock simples, cru, básico e “independente”.
O indie rock (ou rock independente) tem sido o responsável pela renovação do gênero desde 2001. Ele surge e floresce em um contexto bem propício. Do ponto de vista artístico, nada de muito interessante vinha sendo feito no rock nos últimos anos do século 20. Em relação ao mercado, enquanto a indústria fonográfica tem enfrentado uma de suas piores crises, a Internet apareceu como o grande meio para bandas e fãs terem um contato direto. E os clubes noturnos, em alta desde os anos 90, têm servido de ponto de encontro e lançamento de novas bandas.
Nesse cenário, começou a surgir um rock de sonoridade mais crua, que lembra o pré-punk de Iggy Pop e os Stooges e do Velvet Underground do final dos anos 60, mas com algumas influências do pós-punk dos anos 80. A primeira banda a despontar nesse novo cenário foi o quinteto The Strokes. Baseados em Nova Iorque, eles lançaram em 2001 o álbum “Is This It”, que traz sucessos como “The Modern Age” e “Last Nite”. O estilo banda de garagem com apresentações em clubes noturnos e espaços menores para shows, normalmente sem muitos recursos cênicos, apoiado por uma divulgação dos trabalhos pela Internet em sites especializados, como o MySpace, caracteriza essa nova geração de grupos de rock. Na trilha dos Strokes, vieram Franz Ferdinand, Interpol, Kaiser Chiefs, The Killers e Arctic Monkeys, entre outros. Esse rock ligado à cena indie dividiu espaços no começo do novo milênio com o dos super grupos ainda na ativa como U2 e Rolling Stones.
No começo do novo milênio, o rock tenta confirmar a sua vocação rebelde, e ao mesmo tempo de um bom negócio, em um cenário de mudanças na forma do relacionamento entre fãs e artistas, de profunda crise na indústria fonográfica e principalmente em meio a uma impressionante experimentação estilística.