Punk, disco music e a decadência do rock progressivo

Na certidão de nascimento do punk rock está escrito que o pai é o grupo Ramones, mas a coisa toda “pegou fogo” a partir de novembro de 1975, quando o Sex Pistols fez o seu primeiro show.

Ramones
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Os Ramones foram um dos "inventores" do punk,
gênero que se opôs aos valores e à estética do rock progressivo


Com a filosofia punk do “faça você mesmo” (do it yourself), qualquer pessoa, até mesmo as que não sabiam diferenciar um baixo de uma guitarra, de repente se transformaram em “músicos”. Então, infelizmente, o rock virou regressivo. Discos inteiros foram gravados com apenas três acordes. As canções ficaram proibidas de ultrapassar os quatro minutos. Também foi decretada a morte dos solos de guitarra e bateria. E os teclados sumiram de cena.

Jethro Tull
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Cartaz de turnê do Jethro Tull: antes do fenômeno punk, o rock
progressivo atingiu alta popularidade na primeira metade dos anos 70


Após o furacão punk, o rock progressivo, aliás, os grupos de rock de qualquer tribo tiveram que enfrentar um “problema” muito sério: a disco music (em francês, discothèque). E depois veio o pior. Por volta de 1977, iniciou-se um longo período de falta de criatividade dos principais grupos de prog-rock. O primeiro grande sinal da decadência foi dado pelo Gentle Giant, com o LP “The Missing Piece” (1977). O fundo do poço foi atingido em 1983, quando o Yes gravou uma das piores músicas da história da humanidade: “Owner of a Lonely Heart”.

Genesis
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Capa de livro sobre o Genesis;
o grupo é uma das influências do rock neo-progressivo


No início dos anos 80 surgiram novos grupos ingleses fortemente influenciados pelo Genesis. Em 1983, o grupo Marillion lançou o seu primeiro LP: “Script for a Jester’s Tear”. Esse disco é considerado o marco inicial do rock neo-progressivo (também conhecido como neo-prog). IQ, Pallas e Pendragon são as outras três bandas mais importantes do neo-prog. Os álbuns desses grupos são indicados para quem não se preocupa com originalidade musical.

Vacina contra a mediocridade musical

Entre o lançamento do primeiro disco do Marillion e os dias atuais, passaram-se vinte e cinco anos. Apesar de ser odiado pela maioria dos críticos musicais, o rock progressivo não morreu. Muitas bandas dos anos 70 ainda estão na ativa e sempre estão surgindo novos grupos. Há gravadoras independentes, fã-clubes, sites e vários festivais, em diversos países, onde se apresentam apenas grupos de prog-rock. Está bem claro que a fase áurea do rock progressivo (1967-1976) nunca se repetirá (e isto nem faria sentido, pois o cenário social, político e econômico é outro), mas os roqueiros que ouviram o prog dos anos 70 ficaram vacinados contra todas as picaretagens musicais que surgiram nos últimos trinta anos e são idolatradas pela grande maioria dos críticos musicais.