Variações e influências do rock progressivo

Prog-eletrônico

Prog-eletrônico é a música composta por tecladistas e grupos que gravaram discos baseados quase que exclusivamente em teclados: sintetizadores, piano, órgão etc. Sem dúvida, o grupo alemão Kraftwerk é o mais famoso e mais influente. Entre 1970 e 1978, a banda lançou sete álbuns,com destaque para: “Autobahn” (1974), “Radio-Activity” (1975), “Trans-Europe Express” (1977) e “Man Machine” (1978). É quase inacreditável a quantidade de músicos e grupos que sofreram influência direta do Kraftwerk. David Bowie foi o primeiro, com os três álbuns da “fase Berlim”: “Low” (1977), “Heroes” (1977) e “Lodger” (1979). E dá para afirmar, com certeza absoluta, que o Kraftwerk influenciou todos os grupos e músicos de tecnopop que fizeram muito sucesso no início dos anos 80: Depeche Mode, Soft Cell, Ultravox, Human League, Japan, Heaven 17, Yazoo, Gary Numan e Thomas Dolby. A influência kraftwerkiana continua a se fazer presente na cena da música eletrônica.

Já o grupo alemão Tangerine Dream, liderado pelo tecladista Edgar Froese, lançou seu primeiro álbum (“Electronic Meditation”) em 1970. As melhores viagens eletrônicas do grupo foram registradas nos discos “Phaedra” (1974), “Rubycon” (1975) e “Stratosfear” (1976). Outro representante do prog-eletrônico, o tecladista grego Vangelis ficou mais conhecido como autor de trilhas sonoras, mas sua discografia progressista é muito interessante. Na coletânea “The Best of”, lançada em 1980, foram reunidas as melhores músicas de álbuns gravados entre 1975 e 1978. Há ainda os dois primeiros e excelentes álbuns do tecladista francês Jean Michel Jarre – “Oxygene” (1977) e “Equinoxe” (1978) – e os três discos iniciais de Synergy, pseudônimo do tecladista norte-americano Larry Fast, que são verdadeiras obras-primas: “Electronic Realizations for Rock Orchestra” (1975), “Sequencer” (1976) e “Cords” (1978).


Jazz-rock

A influência do jazz está presente em vários discos de grupos de rock progressivo. Geralmente, os fãs de rock progressivo também são apreciadores de jazz e, principalmente, de jazz-rock (conhecido como fusion).

18 de fevereiro de 1969 é a data oficial de nascimento do jazz-rock. O disco “In a Silent Way”, do trompetista Miles Davis, foi lançado nesse dia. Ainda em 1969, Miles Davis lançou “Bitches Brew”, álbum duplo com apenas seis faixas. Apesar de “In a Silent Way” ter sido o primeiro, foi com “Bitches Brew” que o movimento ganhou força. Há um dado importante referente à “Bitches Brew”. Alguns músicos que tocaram nesse disco tornaram-se, posteriormente, líderes dos melhores grupos de jazz-rock do mundo: John McLaughlin (Mahavishnu Orchestra), Chic Corea e Lenny White ( Return to Forever), Joe Zawinul e Wayne Shorter (Weather Report).


Rock in Opposition (R.I.O.)

O grupo inglês Henry Cow foi formado em 1968, mas o primeiro disco só foi gravado em 1973. O nome é um trocadilho com Henry Cowell (1897-1965), um compositor norte-americano. Em 1978, os integrantes do Henry Cow convidaram quatro grupos de outros países para tocarem em um festival em Londres. Os grupos convidados foram: Stormy Six (Itália), Samla Mammas Manna (Suécia), Etron Fou Leloublan (França) e Univers Zero (Bélgica). Os shows aconteceram no dia 12 de março de 1978. Essa data ficou marcada como o nascimento oficial do Rock in Opposition (R.I.O.), um movimento não apenas musical, visto que Chris Cutler (baterista do Henry Cow e comunista de carteirinha) sempre protestou contra a ganância das gravadoras capitalistas.

Os discos desses grupos são apreciados por uma pequena parcela de fãs progressistas, por ser um rock progressivo bem mais “radical”, com influências do free-jazz de Ornette Coleman, o dodecafonismo de Arnold Schoenberg e outros compositores de música erudita contemporânea: Igor Stravinsky, Edgar Varèse etc.

A audição dos discos de Rock in Opposittion só é recomendada para quem já é um iniciado no universo progressista. Para quem quiser se aventurar, segue um Top 5 com as principais obras-primas: “Western Culture” (1978), de Henry Cow, “Ceux du Dehors” (1981), de Univers Zero, “Triskaidekaphobie” (1980), do Present, “Generation Sans Futur” (1980), do Art Zoyd, e “Les Morts Von Vite” (1986), do Shub Niggurath.


Metal progressivo

A “fronteira” que separa rock progressivo e heavy metal não existe.O casamento dos dois estilos aconteceu nos anos 70 e o tempo provou que a união será eterna. Veja quatro exemplos:
1) O quarto álbum do Deep Purple : “Concert for Group and Orchestra” (1970).
2) A versão ao vivo de “Dazed and Confused”, do Led Zeppelin, que tem 26 minutos de duração e ocupa um lado inteiro do LP “The Song Remains the Same”.
3) Algumas músicas do álbum “Red”, do King Crimson, que foram definidas por Robert Fripp (o líder do grupo) como heavy metal.
4) E no álbum “Relayer”, do Yes, na música “The Gates of Delirium” há pelo menos uns sete minutos de heavy metal.

No final dos anos 80, a mídia batizou essa fusão como metal progressivo (ou prog-metal). O termo surgiu para classificar algumas músicas dos grupos Quensrÿche, Fates Warning e Dream Theater.