Introdução ao rock progressivo


rock progressivo

Em meados dos anos 50, Chuck Berry, Bill Halley, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Elvis Presley, entre outros, criaram um novo gênero musical: o rock and roll. Naquela época eles não assinaram nenhum documento oficial proibindo futuros roqueiros de gravarem músicas com 20 minutos de duração, três “milhões” de acordes e ritmos bem distantes do tradicional 4 x 4.

O rock progressivo é um gênero e um movimento musical que foi criado por roqueiros ingleses em 1967. Toda regra tem exceção, mas a maioria dos músicos pertencia à classe média, tinha um bom nível sociocultural, gostava de literatura, artes plásticas, filosofia, teatro etc. O gosto musical ia muito além do pop/rock dos anos 50 e 60: música erudita (barroca, clássica, romântica e contemporânea ), jazz, música folclórica, música eletrônica.

Pink Floyd RS
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Pink Floyd, um dos expoentes do rock progressivo
nos anos 70, na capa da revista Rolling Stone


Esse ecletismo musical alterou, naturalmente, a instrumentação básica dos grupos de rock. Guitarra, baixo e bateria passaram a “conviver” com sintetizadores, oboé, violino, vibrafone, bandolim. Alguns músicos estudaram em conservatórios musicais. Rick Wakeman e Kerry Minear (tecladista do grupo Gentle Giant) estudaram na Academia Real de Música. Os que eram autodidatas fizeram o que todo músico que se leva a sério deve fazer: praticar, no mínimo, oito horas por dia.

Ingresso
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Ingresso para apresentação do Pink Floyd em Miami (EUA)
no auge da popularidade do rock progressivo


Progressive Rock foi um termo criado pela imprensa inglesa. No final dos anos 80, foi abreviado para prog-rock, ou, simplesmente, prog. Os fãs de rock progressivo passaram a ser chamados de proggers. No Brasil, alguns fãs que ouvem e colecionam discos de prog-rock, desde o início dos anos 70, ficaram conhecidos apenas como colecionadores. A palavra pegou, ainda está em uso e estendeu-se aos fãs mais jovens.

Capa E,L & P
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Capa do álbum Brain Salad Surgery, do grupo Emerson, Lake & Palmer

17 minutos, sem refrão e “indançável”

O “grande terror” para os não iniciados no universo progressista é a duração das faixas. É comum, nos álbuns de prog-rock, uma única faixa ocupar o lado inteiro de um LP, totalizando entre 18 e 21 minutos de duração. Isto é a média. No álbum duplo “Incantations”, do multi-instrumentista Mike Oldfield, há apenas uma única música que dura exatamente uma hora, 12 minutos e 44 segundos! Mas, claro, não existe uma “obrigatoriedade” de todas as músicas terem longa duração. Seria enfadonho enumerar alguns exemplos, mas há várias músicas com apenas três, quatro, cinco ou seis minutos. E até menos. “For Absent Friends”, do Genesis, tem menos de dois minutos de duração. Outro “grande terror”: todos nós sabemos que há um refrão em todas as canções que estão no Top 10 de qualquer rádio. Como os discos de rock progressivo não foram gravados com o objetivo de tocar em rádios, e considerando-se que a letra de uma música de 17 minutos é bem maior do que um hit de três minutos, temos aqui uma “pequena revolução musical“: o rock progressivo “matou” o refrão. E concluindo a “sessão terror”: não há registros de que Rudolf Nureyev, Mikhail Baryshnikov, Fred Astaire e Gene Kelly tenham escutados discos de rock progressivo. Mas se isto tivesse acontecido, eles não conseguiriam dançar ao som dos álbuns clássicos de prog-rock. “Dogs”, música do Pink Floyd gravada no álbum “Animals”, comprova tudo isso: 17 minutos, sem refrão e “indançável”.