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| reality shows |
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Vamos dizer que você esteja em casa, acomodado no sofá diante de seu novo televisor de plasma, e tenha algumas horas para matar. Você começa a procurar alguma coisa na televisão, e encontra um programa no qual pessoas estão se alimentando de uma mistura de vermes e besouros, pela oportunidade de ganhar US$ 50 mil. Em canal após canal você vê programas em que caminhoneiros dirigem pelas traiçoeiras estradas nevadas do Alasca, ou pessoas que dizem aos outros o que não vestir, ou um pescador de caranguejos enfrentando uma imensa tempestade. Quando, exatamente, os reality shows se tornaram tão populares na TV dos EUA e do Brasil? E, por fim, como as pessoas desenvolvem essas idéias - e até que ponto esses programas são verdadeiramente reais?
Os reality shows de TV têm suas origens remotas nos programas de jogos no rádio e nos programas de calouros, e passaram pelos programas que usam câmeras ocultas e por séries televisivas em estilo documentário. O gênero agora abarca dramas sem roteiro, sagas de reforma total de uma pessoa ou casa, ataques a celebridades, programas que promovem mudanças de estilo de vida, busca de namorados e namoradas e toda espécie de competição que você consiga imaginar (além de algumas inimagináveis). Na temporada de 2007, as grandes redes de TV aberta e a cabo dos Estados Unidos ofereceram mais de 12 reality shows em seus horários nobres. A qualquer hora da noite, você pode assistir a "The Biggest Loser", "Dancing with the Stars", "The Real World", "I Love New York", "Beauty and the Geek", "America's Next Top Model", "Ultimate Fighter", "The Bachelor", "Run's House" ou "Project Runway" - para citar apenas alguns exemplos do gênero.

Frank Micelotta/Getty Images para a Fox
Jordin Sparks reage à sua
vitória em "American Idol"
Por definição, reality shows são, em essência, programas sem roteiro que não empregam atores e se concentram em imagens de eventos ou situações reais. Esse tipo de programa freqüentemente emprega um apresentador para contar a história ou preparar o cenário para os dramas que acontecerão. Ao contrário de programas roteirizados como séries, novelas e jornais, os reality shows não dependem de roteiristas e atores, e boa parte do processo é comandada pelos produtores e uma equipe de editores. Por conta disso, o formato pode ser bastante barato do ponto de vista da produção - e é por isso que, nos EUA, as redes de TV estão correndo por elevar seu número de reality shows, diante da greve dos roteiristas da Writers Guild of America.
Os produtores de segmentos ou editores de histórias dos reality shows usualmente montam storyboards e roteiros de filmagem, ferramentas importantes para definir a direção do espetáculo. No mundo dos dramas e comédias de TV, eles seriam conhecidos como roteiristas. Mas, ao contrário dos roteiristas, eles em geral não são reconhecidos pelo Writers Guild of America, e portanto não são sindicalizados. Essa distinção poderia ser vista como desvantajosa para os produtores de segmentos ou editores de história, mas beneficia os programas porque reduz os custos - e ajuda a preservar a idéia de que os programas são reais, sem roteiro. Também permite que os reality shows continuem em ação quando surge uma greve dos roteiristas, como a que começou no final de 2007. Muitos funcionários de reality shows já contestaram essa distinção em casos judiciais que estão em curso desde 2005. |
O aspecto que define os reality shows é, provavelmente, a maneira pela qual são gravados. Quer eles aconteçam em locações reais com pessoais reais (como um documentário), sejam gravados em estúdio com audiência que participa do programa ou utilizem câmeras ocultas, os reality shows dependem de que as câmeras capturem tudo tal como acontece. Neste artigo, aprenderemos sobre o que são os reality shows hoje, quando se tornaram tão populares e se eles são, de fato, tão "reais" quanto alegam. Mas, primeiro, vejamos como tudo começou.