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Muito antes de alguns serem super astros cinematográficos e bem antes de outros serem super amigos reunidos em alguma sala da Liga da Justiça, todos eles tinham algo em comum. Batman, Super Homem, Homem Aranha, Homem de Ferro, Coringa, Lex Luthor e Os Quatro Fantásticos, entre tantos outros vilões e heróis famosos, nasceram da mesma forma. Eles surgiram para o mundo através das histórias em quadrinhos, uma arte que durante décadas foi incompreendida e vista preconceituosamente.
As primeiras manifestações das histórias em quadrinhos, tal qual como as conhecemos, são do final do século 19. No começo do século seguinte, elas ganharam espaços nos jornais, com as charges políticas e as tirinhas com personagens fixos como “Os Sobrinhos do Capitão”. Em 1933, nos Estados Unidos, surgiu “Funnies on Parade”, o que seria o primeiro gibi com historinhas completas. Desde então, a arte dos quadrinhos, que já havia mostrado obras primas como “Little Nemo in Slumberland” (1905), revelava a cada ano artistas e personagens geniais como O Gato Félix, Tintin, Tarzan, Buck Rogers, Al Capp, Will Eisner, Moebius, Charles Schulz e Maurício de Souza, entre tantos outros.

Apesar do seu sucesso junto a crianças e adultos, os quadrinhos foram durante quase um século vistos como uma arte “menor”, popular demais para ser aceita como a “nona arte” por uma sociedade com uma visão cultural elitista (as outras oito artes são: música, dança, pintura, escultura, literatura, teatro, cinema e fotografia). Na década de 60, no entanto, o surgimento da Pop Arte faria isso começar a mudar. E a partir dos anos 80, o avanço da cultura pop e o surgimento de artistas que revolucionaram a linguagem dos quadrinhos, como Neil Gaiman, Alan Moore e Frank Miller, fizeram as histórias em quadrinhos passarem finalmente a ser vistas com um valor artístico equivalente ao das demais artes.
Nas páginas a seguir, conheça um pouco da história dos quadrinhos e de alguns dos principais criadores e criações do universo das HQs.
Uma sofisticada linguagem artística O preconceito com os quadrinhos começou a mudar nas últimas décadas do século 20. Desde o início, as historinhas eram vistas principalmente por pais e educadores como prejudiciais à educação das crianças e adolescentes, já que não representariam nenhum esforço intelectual de seus leitores e tratavam de temas banais ou absurdos. Um engano cometido também por boa parte dos pesquisadores culturais durante tempos, que deixaram de investigar as qualidades das historinhas. Essa injustiça começou a ser corrigida, e os quadrinhos passaram a ganhar o respeito que sempre mereceram, quando o preconceito cedeu lugar à percepção de que eles exigem dos seus leitores uma capacidade interpretativa, tanto visual quanto verbal, equivalente a artes tão consagradas como a literatura e o cinema. A sofisticação da linguagem dos quadrinhos passa pelos recursos usados na composição das imagens desenhadas, como o uso de perspectivas e simetrias, pelos recursos literários empregados e, até mesmo, pelo tipo de fluxo da narrativa, que ao empregar cenas congeladas deixa para a imaginação do leitor o preenchimento das seqüências. Para Will Eisner, "a leitura da revista de quadrinhos é um ato de percepção estética e de esforço intelectual".
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