Hey! Ho! Let's Go! Os anos mais felizes do punk
O que fazer quando se gosta de
rock, daquele rock basicão, rápido, curto, furioso e feito prá dançar, mas não se consegue mais escutá-lo nas rádios, porque o que toca é só uma versão sofisticada, com longas demonstrações da virtuose dos instrumentistas, viajandona, que fala de coisas distantes do cotidiano? Uma solução é montar a própria
banda para poder tocar e cantar o que se quer ouvir. Mas, e se nessa situação está um bando de jovens que não sabe tocar instrumento algum e tampouco tem alguma veia poética?
A solução para esse dilema na história do rock foi dada por quatro garotos de uma vizinhança classe média nova-iorquina nos anos 70. Quando os
Ramones se juntaram para fazer o som que eles queriam ouvir, eles deram forma ao punk-rock. Mas o som que saiu dali, apesar de rudimentar, era o resultado mais popular e jovem possível de uma tendência minimalista nas artes que emergiu da cena
underground de Nova Iorque na virada dos anos 60 para os 70. Os Ramones, amantes do rock’n’roll de
Elvis Presley, Chuck Berry e Little Richards, influenciados pelas bandas de garagem dos anos 60 e admiradores do rock industrial de Detroit, que incluía as performances radicais de
Iggy Pop & The Stooges e do
MC5, começaram a transformar em cultura pop várias das idéias pensadas pela vanguarda artística de uma geração.
 Reprodução Apesar de não emplacarem nenhum hit nas paradas de sucesso, a história e a música dos Ramones mostram toda a essência do movimento punk
|
O punk dos Ramones, e depois do Television,
Blondie, Talking Heads e companhia, surgiu numa Nova Iorque quebrada economicamente e mergulhada numa atmosfera de pessimismo por conta dos mortos na Guerra do Vietnã, do escândalo do caso Watergate e da falta de perspectivas sociais e políticas. Naquele momento, o punk era uma forma de expressão para uma juventude desesperançada e com fúria, muita fúria. Em meio a esse caos e pessimismo, o
underground clube
CBGB tornou-se o ponto de encontro e de apreciação da nova sonoridade e atitude que surgia. Lá se apresentavam as novas bandas punks, que eram apreciadas por artistas, intelectuais, jornalistas e empresários que ajudariam a transformar o panorama cultural a partir da segunda metade dos anos 70.
Enquanto o cenário boêmio e alternativo do punk nova-iorquino ia da rústica e veloz sonoridade dos Ramones às intelectualizadas e sofisticadas canções dos Talking Heads, a cena britânica estava começando a ser construída por Malcolm McLaren. Após sua experiência americana com os
New York Dolls, McLaren levou a idéia do visual e da atitude do
underground nova-iorquino para Londres. Lá, com a estilista
Vivienne Westwood, fez da loja Sex um ponto de encontro de jovens interessados numa
moda inspirada em motivos sadomasoquistas. McLaren reuniu um grupo de freqüentadores da loja para formar os
Sex Pistols, uma banda planejada para ser a versão britânica do punk norte-americano. Mas os Pistols foram muito mais do que isso e foi graças a eles que o punk ganhou o mundo.
O som e a fúria
O som punk é basicamente composto por vocais declamatórios e um ritmo
básico com guitarra, baixo e bateria. Essa fórmula faz do punk uma
música minimalista. Numa autêntica canção punk não há lugar para
demonstrações de virtuosismos dos instrumentistas. O crítico Greil
Marcus afirmou que o punk-rock “era a melhor combinação sonora para
expressar a ira e a frustração, para focalizar o caos, para representar
dramaticamente o cotidiano como dia do juízo final e para golpear todas
as emoções entre um olhar perdido e um sorriso grande e sarcástico”.
|