Introdução

Selo ComoTudoFunciona - Quiz sobre punk
O punk começou a festejar o início do fim do mundo a partir dos anos 70. Guitarras furiosas e vozes coléricas cantavam que não havia futuro. Era uma volta ao rock dos primórdios, só que mais acelerado, cru e agressivo. O visual era violento e soturno, com roupas pretas, rasgadas e cheias de tachinhas, cabelos coloridos, moicanos e piercings. Tudo para expressar a visão de uma geração de jovens desencantados com o mundo que encontraram.




Ramones
Reprodução
Os Ramones fizeram rock básicos e divertidos em canções
de dois minutos que influenciaram toda uma geração do punk-rock


Porém, o futuro não só existia como seria brilhante para o punk. O movimento provocou o renascimento do rock e mudou os rumos da cultura jovem. Transformou-se em um fenômeno de longa duração, com influências não só na música, mas também na moda, no comportamento e em outras artes. Popularizado como um movimento anárquico e “anti-establishment”, ele acabou assimilado pelo “sistema”, virou fonte de receitas da indústria fonográfica e gerou uma série de subprodutos lucrativos, de camisetas a filmes.

CBGB na tela

O novo documentário "Burning Down the House: The Story of CBGB", da diretora Mandy Stein, revive a paixão suscitada pelo clube, considerado a meca do punk em Nova York.

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O punk não nasceu apenas com a visão niilista que se tornou sua face mais conhecida. O movimento surgiu como arte de vanguarda, boêmio e propondo a ruptura com os padrões artísticos e comerciais que a música pop apresentava no começo dos anos 70. Ao longo daquela década, no entanto, ele virou forma radical de expressão de uma juventude desencantada com o sistema educacional, cansada da passividade da contracultura hippie, atormentada pelo desemprego e aterrorizada pela ameaça de holocausto nuclear.

O punk vislumbrou o fim do mundo para transformar radicalmente o universo da cultura jovem. Descubra como isso aconteceu nas páginas a seguir.

 

Por que o punk se chama punk

Antes dos anos 70, a palavra inglesa “punk” era usada para definir alguém que era um marginal, uma pessoa ou coisa sem valor, um ser inferior, desagradável. Usava-se o termo também para se referir a jovens homossexuais masculinos e a prostitutas. Em 1976, para cobrir a efervescência da cena musical underground de Nova Iorque, onde estava nascendo essa nova sonoridade do rock, o cartunista John Holmstrom e o jornalista Legs McNeil lançaram um fanzine chamado "Punk Magazine". O nome punk veio à mente de McNeil para definir o que ele próprio sentia ser naquele momento. Freqüentador dos clubes undergrounds nova-iorquinos como o Max’s e o CBGB, fã da nova sonoridade e performances furiosas dos Ramones e companhia, McNeil inspirou-se nas frases ditas por Kojak e Columbo nos seriados televisivos dos anos 70 quando capturavam um delinqüente: “Hey, punk”. Coincidência ou não, e apesar do termo já ter aparecido anteriormente para se referir a alguns grupos de rock de garagem, foi a partir da cobertura feita pela "Punk Magazine" da cena independente e underground americana e britânica que o termo punk ganhou seu mais importante significado. Ele passou a designar o movimento jovem da segunda metade dos anos 70 caracterizado por um rock barulhento, furioso e com letras agressivas, cujos artistas e apreciadores caracterizaram-se pelo visual e atitudes chocantes e anárquicas.