Como funciona a pornografia

Autor: 
Sílvio Anaz
pornografia

A descrição da vida das prostitutas. Esse é o significado original de pornografia – derivada das palavras gregas porni (prostituta) e graphein (escrita). Ao longo dos séculos, no entanto, ela praticamente se fundiu com os significados de erotismo para simbolizar tudo aquilo que provoca excitação sexual. Onde termina o erotismo, que seria mais sutil, e começa a pornografia, que seria mais explícita, é um limite tênue e subjetivo que depende do entendimento de cada um.

Pornografia
© istockphoto.com / Diego Alvarez de Toledo

Se na arte e no comportamento há essa sutileza, ela inexiste no mundo dos negócios. Estima-se que a indústria pornográfica movimentou cerca de US$ 13 bilhões em 2007 nos Estados Unidos, o dobro do faturamento do mercado musical no país no mesmo período [fontes: New York Times e IFPI].

Fora do mundo dos negócios, uma das questões mais interessantes quando tentamos compreender o que é a pornografia é justamente o quanto ela é subjetiva culturalmente. Há dois séculos, viajantes ocidentais que chegassem a Índia considerariam pornográficas as representações religiosas das divindades hindus. Nos dias atuais, várias culturas influenciadas pela ortodoxia religiosa, como o islamismo, classificam de pornográficas várias produções artísticas consideradas como eróticas, ou nem isso, pela maioria das culturas ocidentais.

Pornografia
© istockphoto.com / Bartosz Wardziak

A indústria da pornografia inclui vários segmentos. Das já “tradicionais” revistas eróticas, como a Playboy, até os recentes e populares sites de conteúdo adulto. Há também os vídeos eróticos, que, apesar da queda de faturamento em função da concorrência com a internet e da pirataria, continuam a ser uma das principais fontes de receita dessa indústria. Descubra nas próximas páginas como a pornografia tem se manifestado em diferentes culturas ao longo da história.

A pornografia na rede

A internet causou uma revolução também na indústria da pornografia. A facilidade de acesso e a possibilidade de sexo virtual impactaram nos negócios e na banalização do universo pornô. Os temas ligados ao sexo são os mais procurados na rede mundial de computadores. A revista Forbes estimava em 2001 que os sites pornográficos movimentavam cerca de US$ 1 bilhão anualmente nos Estados Unidos (cerca de 25% do mercado pornográfico na época). A obsessão pela pornografia no mundo virtual é confirmada pelo número de sites dedicadas ao assunto. Em junho de 2009, ao buscar no Google a palavra “pornô” o resultado trazia quase 190 milhões de páginas, enquanto a palavra “sexo” trazia a metade disso. Nas últimas décadas, uma das principais preocupações com a pornografia na internet envolve as crianças. Além delas poderem ter acesso, sem muitas restrições efetivas, aos sites pornôs, a pornografia infantil se espalhou pela rede. Apesar dos limites tênues entre o que é erótico e o que é pornográfico variar de cultura para cultura, a condenação e a criminalização da pornografia infantil é uma unanimidade mundial.