Introdução sobre a Pop Arte


Pop Arte
A Pop Arte anunciou o fim dos limites entre “alta” cultura e cultura popular. A linguagem da cultura urbana, presente nas estéticas dos quadrinhos, dos anúncios de propagandas, do design de produtos e da fotografia, passou a ser celebrada pelas artes plásticas num movimento que irrompeu no final dos anos 1950 quase que simultaneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Com uma visão irônica e crítica, mas muitas vezes positiva, em relação à cultura, ao consumo e aos meios de comunicação de massa, os artistas da Pop Arte faziam obras atrevidas e revigorantes, que sintonizavam com um mundo que emergia transformado após a Segunda Guerra Mundial.

Andy Warhol
Reprodução
Livro sobre Andy Warhol traz  reprodução de sua famosa obra
sobre a lata de sopa Campbell's

Ao retratar objetos comuns, como latas de sopa, embalagens de sabão em pó, fotografias de artistas, e às vezes até mesmo ao incorporá-los às obras, a Pop Arte se opôs, para muitos, ao Expressionismo Abstrato, representante da “alta” cultura e que dominava o cenário das artes plásticas, e também às pretensões da avant-garde contemporânea. Historiadores afirmam que os artistas da Pop Arte se propuseram a fazer uma arte mais objetiva e universalmente aceita, democrática, que fosse acessível tanto aos conhecedores como a pessoas que não estivessem familiarizadas com o universo das artes plásticas.

Mas nem todos a viam assim. Muitos críticos a acusavam de conformista, burguesa, arte da publicidade que procura nos inserir num mundo consumista, banal e vulgar. A Pop Arte surgiu num momento em que outros fenômenos culturais de massa ganhavam terreno, como a televisão, o cinema holywoodiano, o rock e a música jovem, as histórias em quadrinhos e as ilustradas e coloridas revistas populares. No campo econômico e comportamental instalava-se uma atitude consumista, impulsionada pela impressionante prosperidade econômica dos Estados Unidos no período.

Roy Lichtenstein
Reprodução
Roy Lichtenstein levou a estética e a técnica das HQs para suas obras

A Pop Arte buscou remover os artistas de seu panteão e colocá-los como parte integrante de uma sociedade urbana e situá-los no mundo da produção, do consumo e dos negócios. Andy Warhol, o mais importante representante da Pop Arte, declarou para espanto de muitos que “ser bom nos negócios é o mais fascinante tipo de arte”. O artista britânico Richard Hamilton, outro expoente da Pop Arte, lembrava que “o artista da vida urbana do século 20 é inevitavelmente um consumidor de cultura de massa e potencialmente um contribuinte para ela”.  

Na próxima página leia sobre os fundamentos e o impacto da Pop Arte.

Expoentes da Pop Arte

Considerado o mais importante e conhecido artista da Pop Arte, Andy Warhol tinha um ateliê em Nova York que se chamava Fábrica, uma “linha de montagem de obras de arte”, e considerava fabuloso o fato de na sociedade de massa consumidores ricos e pobres, famosos e anônimos, consumirem as mesmas coisas. Ele destacava que na nossa sociedade assistir à televisão e beber uma Coca-Cola são atitudes comuns ao presidente da República, a uma estrela de cinema e a um trabalhador qualquer. Warhol aplicou essa mesma forma de pensar na sua arte. Motivos banais, métodos de produção estandardizados e semi-mecânicos (mistura de pintura, serigrafia, estampagem, partes feitas manualmente, partes industrialmente) resultaram nas mais famosas obras da Pop Arte, como seus quadros que reproduziram as sopas enlatadas Campbell’s ou os que imortalizam o retrato de Marilyn Monroe. Com Warhol, a magia da uniformidade e da perda da aura chegou à arte. Outro importante nome da Pop Arte é o artista Roy Lichtenstein, considerado o “pai fundador” do movimento. A adaptação do tema impresso das histórias em quadrinhos para as telas fez Lichtenstein, um ex-recém convertido expressionista abstrato, encontrar seu território artístico no começo dos anos 60. Sua intenção era que suas imagens parecessem, tanto quanto possível, feitas por uma máquina. Os trabalhos de Lichtenstein não traziam uma crítica à cultura consumista, mas eles faziam uma paródia dela. O artista foi um dos primeiros a reconhecer a elevada qualidade de parte da arte comercial, apesar de não ser um apoiador dela. Entre seus trabalhos mais famosos estão suas pinturas sobre guerra como “Quando abri fogo” (1964) e “Whaam” (1963).