A poesia no Brasil

O primeiro poeta a escrever no Brasil é o jesuíta José de Anchieta, que em seu trabalho de catequese, no século 16, adota o estilo dramático como meio de propagação dos valores cristãos entre os indígenas.

Drummond
Foto: Agência Estado
Carlos Drummond de Andrade é considerado um dos
mais importantes poetas brasileiros de todos os tempos



­Desde Anchieta, inúmeros poetas passaram a construir a história da poesia no Brasil, nomes que não pretendemos nem poderíamos elencar apenas neste artigo. Mas vale a pena fazer um breve relato dos caminhos que a poesia brasileira percorreu até o Concretismo, um dos movimentos mais originais da nossa literatura.

Na segunda metade do século 18, o Brasil vive um período de pré-Romantismo, representado por Tomás Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa e Alvarenga Peixoto, entre outros. Até meados do século 19, os poetas brasileiros, entre os quais destacam-se Gonçalves Dias, Castro Alves, Fagundes Varela e Álvares de Azevedo, eram profundamente influenciados pelas literaturas portuguesa e francesa e conservavam em suas obras alguns traços da poesia Renascentista, como o farto uso de citações mitológicas e temas da história antiga.

Apesar de Gonçalves de Magalhães ter sido considerado pela crítica o poeta precursor do Romantismo no Brasil, Álvares de Azevedo, Castro Alves e Joaquim de Souza Andrade – o Sousândrade –, são figuras fundamentais nessa fase da poesia brasileira. Sousândrade, em especial, diferencia-se de todo o conjunto de poetas desse período pela originalidade de sua poesia, que chega a prenunciar o Simbolismo e o Surrealismo, estando muito à frente de seu tempo.

O Simbolismo, chegado ao Brasil via influência francesa, é representado, principalmente, pelos poetas Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens.
Os ventos vindos da França, com a entrada no século 20, trazem ao Brasil o Modernismo. Graça Aranha, após uma temporada na França, é o responsável por disseminar as novas idéias e experiências entre os poetas brasileiros, que em 1922 lançariam a Semana da Arte Moderna, encabeçados por Mário de Andrade e Oswald de Andrade.

A partir daí, os temas brasileiros ganham força na nossa poesia e o Manifesto Antropofágico de Oswald ergue os pilares da nova forma de assimilação cultural pela arte brasileira, derrubando a mera cópia e a exaltação dos modelos estrangeiros, promovendo a deglutição da cultura estrangeira, como alimento a ser processado para gerar novos e autênticos fenômenos culturais. Novos poetas, a seu modo, viriam a contribuir para o Modernismo, incluindo nomes como Carlos Drummond de Andrade, Cassiano Ricardo, Murilo Mendes e João Cabral de Mello Neto, entre outros.

Em 1956, com a realização de I Exposição Nacional de Arte Concreta, o Concretismo marca oficialmente sua presença na poesia brasileira, pelas letras e símbolos de Décio Pignatari, Ferreira Gullar e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos.