Na Europa Renascentista o cenário da poesia compreende uma série de estilos, todos com forte apelo popular e a conservação de traços da lírica e da épica greco-romanas, como o caráter narrativo dos poemas. Datam desse período os dois maiores poemas épicos da pós-Antigüidade: a “Divina Comédia”, de Dante, e “Os Lusíadas”, de Camões.
![]() ©iStockphoto.com/Claudio Divizia William Shakespeare |
Entre a segunda metade do século 16 e início do século 17, William Shakespeare, considerado o maior poeta dramático da história ocidental, escreve cerca de 38 peças que elevariam a tragédia a níveis de genialidade e viriam a influenciar a literatura mundial de forma definitiva, até a contemporaneidade. Além das tragédias, Shakespeare também escreveu 154 sonetos, menos conhecidos que suas peças, mas traduzidos em dezenas de línguas:
Soneto 17
Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.
Entre o final do século 18 e início do século 19, surge o Romantismo, movimento que se opõe ao Classicismo e confere à poesia uma exacerbação do lirismo, a exaltação das paixões e o fortalecimento da tendência à popularização dos temas e da linguagem poética, da preocupação dos poetas em tornar a poesia ainda mais acessível ao público. Os grandes nomes da poesia romântica incluem Goethe, na Alemanha, Chateaubriand e Mme. De Staël, ambos na França.

A partir da segunda metade do século 19 nascem na França, de forma simultânea, o Parnasianismo, escola literária que procura recuperar o rigor formal que o Romantismo tinha abolido, e o Simbolismo, que busca um espírito romântico ainda mais exaltado. Verlaine, Baudelaire, Valéry, Mallarmé e Rimbaud, entre outros, são os grandes expoentes desse período.
Com a chegada do século 20, a poesia liberta-se totalmente das amarras das escolas literárias, inaugurando novas mudanças formais, criadas e adotadas pelos próprios poetas, sem filiação a movimentos específicos. Nasce o verso branco, sem rima ou métrica rigorosa, a dissolução do discurso, com o uso de caligramas, palavras isoladas e até mesmo letras soltas. Mallarmé abandona a fase simbolista e torna-se um dos grandes adeptos do Modernismo, assim como Apollinaire, um dos precursores da vertente dadaísta da poesia.