Condições de trabalho e de sobrevivência

As equipes de filmagem suportaram condições em que muitos não conseguiriam sobreviver, quase sempre durante longos períodos de tempo e longe de qualquer contato humano. Do clima gelado da tundra da Antártida ao calor escaldante das planícies africanas, a equipe do "Planet Earth" deu um novo significado à expressão "sofrer pela arte".

Operador de câmera filmando pingüins
BBC/DCL
Um operador de câmera da BBC passa um tempo agradável com os pingüins imperadores da Antártida

O operador de câmera Wade Fairly e o biólogo Fred Oliver viveram nos confins da Ilha Macey, na Antártida, durante um ano para capturar o comportamento do pingüim imperador. A habitação construída por eles era um velho contêiner de carga a cerca de três milhas e meia de um abrigo de pingüins. Eles viajavam em atv quads (carros para neve) utilizando um sistema de GPS para se localizarem no meio de tanta neve. As péssimas condições que eles suportaram valeram as imagens dos 10 mil pingüins aglomerados para sobreviver e proteger os ovos frágeis.

Na Costa Rica, a equipe esperou na selva úmida à noite por quase um mês para filmar o chamado do sapo de árvore. Os operadores de câmera foram forçados a reverter seus padrões de sono para coincidir com o do anfíbio notívago. Somente após terem sido levados à um lago particular e convencido o tratador a deixá-los entrar é que conseguiram as imagens de que precisavam.

Outro desafio enfrentado pelas equipes foram as instalações que compartilhavam. Cabanas e barracas eram as suas casas longe de casa. Mesmo com grande parte da equipe experiente em filmar a vida selvagem, os rigores do "Planet Earth" testaram o ânimo de todos. A equipe de produção pensou em mandar centenas de lenços umedecidos para o "banho" quando enviou uma equipe para o gelado deserto de Gobi. Infelizmente, lenços congelados não tiveram o efeito desejado. Como resultado, conviver com odores desagradáveis se tornou comum entre a maioria das equipes.

Operadores de câmera na caverna.
BBC/DCL
Uma equipe de dois operadores de câmera filma nas cavernas de cristal de Lechuguilla, no Novo México

Não eram só os lenços que estavam congelando. Tudo o que não estava bem guardado nos sacos de dormir congelou. Isso significou que os operadores de câmera tinham que dormir em meio a vários itens todas as noites - câmera, baterias, água e até garrafas de urina. Caso esquecessem o último item, tinham que fazer o descongelamento na fogueira na manhã seguinte - uma tarefa nada agradável. Nozes, barrinhas energéticas e refeições secas era o que tinham no cardápio. Alguns escondiam vodka em seus pertences para aquecer o estômago.

Além do clima e das instalações, as equipes também suportaram alturas estonteantes e grandes profundidades. A equipe aérea do Monte Everest testou os limites da filmagem e do vôo em altas altitudes. Os produtores do filme no México mergulharam na caverna mais profunda do mundo - a Caverna de Swallows - com profundidade de quase 400 metros. Uma equipe sobreviveu ao que o National Geographic chama de "o lugar mais cruel da Terra": o deserto africano de Danakil. Quase não existe vida no lugar mais baixo e mais quente do planeta. Dallol Springs parece ser um bom destino de viagem, mas é, na verdade, uma paisagem tóxica de lava viva, situada no vulcão menos ativo do mundo, no meio de Danalki. A equipe não conseguia dormir muito e um membro descreveu a experiência como "tentar cochilar em cima de um caldeirão borbulhante [fonte: Nicholson-Lord].

Na próxima seção, veremos as logísticas envolvidas no "Planet Earth".