A trajetória musical do Pato Fu

O Pato Fu surgiu como um trio em 1992. Fernanda Takai no violão e vocais, John na guitarra e programação eletrônica e Ricardo Koctus no baixo compunham o grupo que com seu primeiro álbum “Rotomusic Lidiquificapum“, produção independente lançada seis meses após a formação da banda, foi considerado uma revelação do rock nacional.

O cenário da canção pop no Brasil quando a banda surgiu era de renovação. A estética do pop-rock dos anos 80 estava esgotada e comercialmente havia sido substituída pelo sertanejo pop que surgiu no final dos anos 80 e começo dos 90. Para se contrapor à febre sertaneja, os novos grupos do rock nacional inspiravam-se na estética grunge, um rock feito por grupos ligados à cena da música independente que surgiu no final dos anos 80 na cidade de Seattle (EUA) e tinha revelado bandas como Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains, Mudhoney e Soundgardens, entre outros.

O Pato Fu, no entanto, investia numa sonoridade diferenciada, que misturava batidas eletrônicas, elementos do tropicalismo, do pop britânico e outras experimentações. Os primeiros sucessos vieram com o segundo álbum, “Gol de quem?”, lançado em 1995. Nele estavam canções como “Sobre o Tempo”, que foi uma das mais executadas no país e projetou a banda nacionalmente, e a versão para a tropicalista “Qualquer Bobagem”. Com este álbum o grupo ganha o prêmio de banda revelação na primeira edição do Vídeo Music Awards da MTV Brasil.

Fernanda Takai e John em show do Pato Fu
Agência Estado
Fernanda Takai e Ricardo Koctus

Antes de lançar seu terceiro álbum “Tem Mas Acabou”, em 1996, o grupo que até então utilizava uma bateria eletrônica incorpora o baterista Xande Tamietti, que passou a ser o quarto integrante do Pato Fu. “Tem Mas Acabou” traz uma sonoridade mais experimental e produção de André Abujamra, do grupo Karnak.

Em 1998, o grupo lança “Televisão de Cachorro”, que traz os sucessos “Antes que Seja Tarde”, "Tempestade" e “Canção prá Você Viver Mais”, além da versão para “Eu Sei”, da Legião Urbana. O disco tornou-se um dos mais populares da banda. No ano seguinte, lançam “Isopor”. Neste quinto álbum, a canção “Made In Japan”, com sonoridade parecida a do grupo pop japonês dos anos 80 Pizzicato Five, torna-se o grande sucesso. Cantada em japonês, a letra fala sobre um projeto secreto da NASA, agência espacial norte-americana, para evitar uma vingança nuclear japonesa.

Em 2001, o grupo participa do Rock in Rio 3 e se apresenta para 250 mil pessoas na mesma noite em que tocaram Guns’n’Roses e Oasis. Foi nesse ano que a Revista Time o considera um dos dez melhores grupos de pop-rock do mundo, ao lado de Radiohead, U2, Portishead, Ziggy Marley and The Melody Makers, Orishas, Sigur Ros, Tarika, Aterciopelados e Brilliant Green. Segundo a Time, a banda brasileira faz um pop-rock com senso de humor e carregado de eletrônica.

Ainda em 2001, eles lançam “Ruído Rosa”, álbum no qual a influência da sonoridade do pop-rock britânico do começo do novo século fica evidente. No ano seguinte, para comemorar os dez anos do grupo, eles gravam e lançam o CD e o DVD “MTV ao Vivo Pato Fu: no Museu de Arte da Pampulha”. Nesse show a banda já conta com seu quinto integrante: o ex-Karnak Lulu Camargo, que assume o piano e os teclados.

Em 2005, o grupo lança “Toda Cura Para Todo Mal”. O álbum é bem pop, mas sem deixar de lado os experimentalismos da banda, e traz de sonoridades da música negra – funk e soul – a baladas românticas, ao estilo Roberto Carlos, sem abandonar as letras divertidas que sempre caracterizaram a banda. Quase todo feito no estúdio caseiro de John e Fernanda, o disco teve a mixagem final em Londres (Inglaterra) para reforçar o conceito de britpop que o grupo pretendia para a sonoridade das canções.

“Daqui pro Futuro” lançado em 2007 foi totalmente produzido, gravado e mixado no estúdio do casal. Ele marca também o lançamento do selo independente da banda, o Rotomusic. O tom de melancolia e lirismo prevalece nesse trabalho do Pato Fu, como pode ser observado na versão que fizeram para a canção “Cities in Dust”, do grupo pós-punk britânico Siouxsie and The Banshees. Apesar do predomínio de canções mais desaceleradas, há também momentos dançantes e a já tradicional presença no trabalho do grupo de influências da música eletrônica.

Num cenário de pouca inovação na canção pop nacional, o Pato Fu tem demonstrado uma capacidade invejável de renovação e criatividade tanto no campo artístico como nas formas de se relacionar com o público que gosta de boa música pop.