A trajetória de Os Paralamas do Sucesso

Os Paralamas do Sucesso surgiram em 1982 no Rio de Janeiro (RJ). O primeiro sucesso viria no ano seguinte com a canção “Vital e sua moto”, inspirada no primeiro baterista do grupo, que por faltar a uma das apresentações foi substituído por João Barone. A canção que foi bastante executada pelas rádios durante 1983 foi o carro chefe do primeiro álbum da banda, “Cinema Mudo”, que trazia entre outras a canção “Química”, da Legião Urbana.

O grupo faz parte da safra carioca que participou da renovação do pop-rock brasileiro nos anos 80, ao lado da Blitz, Barão Vermelho, Kid Abelha e Lulu Santos. Os Paralamas ganharam projeção nacional com o segundo álbum “O Passo do Lui” lançado em 1984 e que trazia os sucessos “Óculos”, “Meu Erro”, “Assaltaram a Gramática” e “Romance Ideal”. Com um repertório de canções conhecidas do público, o grupo se apresentou na primeira edição do Rock in Rio, em janeiro de 1985, e se propuseram a enfrentar a ira do público metaleiro, presente ao festival para ver AC/DC, Scorpions, Ozzy Osbourne e Iron Maiden, em relação aos grupos nacionais mais pops ou emepebistas.

Os Paralamas do Sucesso no início da carreira
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Herbert, Barone e Bi Ribeiro no início da carreira

Em 1986, eles lançam “Selvagem?”, que se tornaria o álbum de estúdio de maior vendagem do grupo. O repertório desse disco mostra uma aproximação da banda com a MPB. Nele estão canções como “Você”, de Tim Maia, “A Novidade”, composta junto com Gilberto Gil, “Melô do Marinheiro” e “Selvagem”. A canção “Alagados” torna-se um dos hits do álbum e é uma primeira incursão mais evidente do grupo em letras carregadas de críticas sociais. O sucesso alcançado até então levou o grupo a participar do Festival de Jazz de Montreux (Suiça).

Nessa época, a banda inicia também uma carreira que se tornaria muito bem-sucedida pelos países sul-americanos, principalmente na Argentina. Os sucessos nesses países levariam o grupo a gravar uma série de álbuns em espanhol, o que consolidaria os Paralamas como um dos grupos mais populares de pop-rock da América do Sul. Colaborou nesse processo a parceria do grupo com o roqueiro argentino Fito Páez. Em 88, a banda lança o disco “Bora-Bora” e volta a utilizar a crítica social em “O Beco”, um dos sucessos do álbum. Mas o repertório traz também as baladas românticas “Quase um Segundo” e “Uns Dias”. O disco seguinte “Big Bang”, de 89, traz o sucesso “Lanterna dos Afogados”.

O esgotamento da estética dos anos 80 – apesar dos Paralamas terem se descolado dela nos seus últimos discos daquela década –, fez com que vários grupos de sucesso e sobreviventes daquela safra caíssem no ostracismo no começo dos anos 90. Contribuiu para isso a crise provocada pelas medidas econômicas recessivas do governo Collor (1990-1992), que atingiu em cheio o mercado fonográfico, mas também foi um momento em que a produção de novas canções pop pelos grupos consagrados dos anos 80 não atraiu o público nem a crítica. Esse fenômeno atingiu conjuntos fundamentais do pop brasileiro oitentista, como Titãs, Legião Urbana e os próprios Paralamas do Sucesso.

Além disso, o cenário musical brasileiro vivia a onda do sertanejo pop que dominou as paradas musicais na virada da década de 80 para 90 e assistia à ascensão de uma nova estética na canção jovem influenciada por um novo tipo de rock: o grunge de Seatle (EUA). No caso dos Paralamas, o mercado latino-americano foi a alternativa em uma época de vacas magras no cenário nacional. Apesar de manter shows bem concorridos, mesmo nessa primeira metade da década de 90, a volta aos mesmos patamares de consagração dos anos 80 ocorrerá apenas a partir de 1995, com o lançamento do álbum gravado ao vivo “Vamo Batê Lata”, que viria a se tornar o disco de maior vendagem da banda. Entre 1991 e 1994, os Paralamas produziram novas canções que resultaram nos álbuns “Os Grãos” e “Severino”, este último com a polêmica canção “Luis Inácio (300 Picaretas)”, uma crítica contundente à forma de se fazer política no país, especialmente ao Congresso Nacional.

Gravação do Acústico MTV
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Os Paralamas do Sucesso no Acústico MTV
A partir de 1995, a MTV Brasil provoca um ressuscitar dos monstros sagrados do pop brasileiro dos anos 80 com a série Acústico MTV. Os Titãs foram os primeiros a se beneficiar. Em 1999 é a vez dos Paralamas. O Acústico MTV da banda conta com a participação de Dado Villa-Lobos, e é justamente uma versão da canção “Que País é Este”, da Legião Urbana, que se torna um dos grandes sucessos do disco. O álbum rendeu um Grammy Latino aos Paralamas por melhor disco de rock brasileiro.

Em 2001, acontece o acidente de ultraleve com Herbert Vianna e sua esposa Lucy, no qual ela morre. O líder dos Paralamas fica com graves seqüelas, entre elas uma lesão medular, que o deixou com uma paraplegia, e lesões cerebrais. Mesmo com as limitações impostas pelo acidente, como o uso de cadeira de rodas, e após um longo processo de recuperação, Herbert volta a se reunir com os companheiros e retoma a carreira do grupo no final de 2002. Após essa retomada, o destaque na discografia da banda é “Uns Dias”, gravado ao vivo, que conta com as participações de Djavan, Nando Reis, Roberto Frejat, Edgard Scandurra, Andreas Kisser, Dado Villa-Lobos, Paulo Miklos e George Israel.

Os Paralamas do Sucesso são um dos poucos grupos da boa safra do pop-rock brasileiro dos anos 80 que atravessou décadas se reinventando e mantendo uma carreira de sucessos. Eles também tiveram uma contribuição essencial para a projeção de um estilo do pop-rock brasileiro no exterior, principalmente na América do Sul.