O talento de Neil Gaiman na literatura, cinema, TV e internet

Embora seja mais reconhecido por seu trabalho como roteirista de histórias em quadrinhos, Gaiman também produziu histórias para diversos outros meios. Em 1988, lançou “Don't Panic: The Official Hitchhiker's Guide to the Galaxy Companion“, livro sobre “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, série de livros de ficção científica bem-humorada de Douglas Adams – e que virou seriado, jogo para computador e filme.

Fachada Neil Gaiman
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A habilidade para escrever roteiros, como o da história "Fachada", que faz parte da graphic novel "Terra dos Sonhos" (Conrad, 2005), levou Neil Gaiman a outras linguagens como cinema e literatura

Em 1990, Gaiman lançou “Belas Maldições” (“Good Omens”, no original; lançado por aqui pela editora Bertrand Brasil), escrito a quatro mãos com Terry Pratchett. Trata-se de um romance que mistura fantasia e humor e que parte do ponto de que o apocalipse está para acontecer, a Terra vai acabar... E alguns seres estão tentando impedir isso, entendendo-se por seres, inclusive, um anjo e um demônio. Três anos depois, lançou seu primeiro livro de contos: “Angels and Visitations”.

A partir de 1998, Gaiman publicou uma sucessão de livros em diferentes formatos: contos em “Fumaças e Espelhos” (“Smoke and Mirrors”, de 1998; no Brasil, pela Via Lettera); o infantil “The Day I Swapped My Dad for Two Goldfish”, também de 1998; o romance fantástico “Stardust”, um conto de fadas para adultos (1999; no Brasil, pela Conrad e pela Pixel); o romance “Deuses Americanos”, em que volta a flertar com deuses e mitologias (“American Gods”, de 2001; no Brasil, pela Conrad); a curta (57 páginas) ficção “A Walking Tour of the Shambles”, escrita em parceria com Gene Wolfe; os infanto-juvenis “Coraline” (idem, de 2002; no Brasil, pela Rocco) e “Os Lobos Dentro das Paredes” (“The Wolves in the Walls”, de 2003; também pela Rocco); “Os Filhos de Anansi “, novamente com personagens e temas mitológicos (“Anasi Boys”, de 2005; no Brasil, pela Conrad); poesias e contos em “Coisas Frágeis” (“Fragile Things”, de 2006; programado pela Conrad para sair no Brasil em 2008).


Os Filhos de Anansi
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"Os Filhos de Anansi" (Conrad, 2006): livro traz mais
uma incursão de Neil Gaiman em temas mitológicos


Cinema e TV

A estréia de Neil Gaiman para a TV aconteceu em 1996, ano em que encerrou “Sandman”. Gaiman roteirizou, ao lado de Lenny Henry, “Lugar Nenhum” (“Neverwhere”; o livro foi lançado no Brasil pela editora Conrad), série de seis episódios exibida de setembro a outubro desse ano na BBC Two. A série, como na maioria dos roteiros de Gaiman, explorava fantasia e magia. “Lugar Nenhum” foi adaptada para a forma de romance em prosa pelo próprio Gaiman em 1996. Anos depois, viraria uma minissérie em quadrinhos (em 2005, com o roteiro escrito por Mike Carey) e uma peça de teatro (em 2006 e 2008, ambas sem participação direta de Gaiman).

O primeiro passo de Gaiman para o cinema aconteceu em 1997, com a adaptação do roteiro de “Princess Mononoke” para o inglês. O roteiro original, bem como a direção deste longa-metragem de animação, ficaram com o japonês Hayao Miyazaki (que venceria o Oscar de melhor animação em 2003 por “A Viagem de Chihiro”).

Em 1998, Gaiman escreveu “Day of the Dead” um episódio do seriado de ficção científica “Babylon 5”, criado por seu amigo J. Michael Straczynski. Uma das civilizações apresentadas na série foi batizada em homenagem a Gaiman: os Gaim. O visual dos Gaim, inclusive, foi inspirado no elmo do Sandman.

Sua estréia como diretor aconteceu em 2003, com o média-metragem de 27 minutos “A Short Film About John Bolton” (um filme curto sobre John Bolton), a partir de um roteiro do próprio Gaiman. O filme aborda o método de trabalho do artista britânico John Bolton, que, entre muitos outros trabalhos, pintou o primeiro dos quatro capítulos da minissérie “Os Livros da Magia” (“The Books of Magic”, lançada no Brasil pelas editoras Abril e Opera Graphica), escrita por Gaiman em 1990. Em 2001, Bolton levou para os quadrinhos “A Paixão do Arlequim” (“Harlequin Valentine”), conto de Gaiman lançado no livro “Coisas Frágeis”.

Dois anos depois, em 2005, Gaiman escreveu o roteiro de “Máscara da Ilusão” (“MirrorMask”), baseado em uma história criada por ele e seu parceiro de longa data Dave McKean. A parceria dos dois começou em 1987, com a “graphic novel” “Violent Cases”, pintada por McKean; depois, vieram os sete anos de “Sandman”, em que todas as capas foram criadas por McKean; a minissérie em quadrinhos “Orquídea Negra” (lançada no Brasil pela Globo e pela Opera Graphica); as “graphic novels” “Signal to Noise” e “Mr. Punch”, inéditas no Brasil; quatro livros infanto-juvenis (McKean ilustrou “The Day I Swapped My Dad for Two Goldfish, “Coraline” e “Os Lobos Dentro das Paredes”, além do ainda inédito “The Graveyard Book”).

Em 2007, estrearam no cinema dois filmes ligados a Gaiman. “Stardust”, com Charlie Cox, Claire Danes e Robert DeNiro, adapta o romance lançado em 1999. “A Lenda de Beowulf”, de Robert Zemeckis, tem roteiro de Gaiman e Roger Avary, a partir do poema épico ”Beowulf”.


Mais quadrinhos e um blog

Além de “Sandman” e “Miracleman”, Gaiman escreveu outras histórias em quadrinhos, a maioria delas para a editora DC Comics: uma história estrelada por Superman e Lanterna Verde; uma do Charada (inimigo do Batman); uma do Monstro do Pântano; e outras. Chegou a trabalhar com Alice Cooper na discussão de alguns conceitos do álbum “The Last Temtaption”, de Cooper, e que resultou na HQ “A Última Tentação” (de 1994; no Brasil, pela Pandora).

E apesar de a revista “Sandman” ter sido cancelada em 1996, Gaiman voltou a escrever edições especiais para a série desde então. Em 1997, foi a vez da minissérie “Morte – O Grande Momento da Vida” (“Death: The Time of Your Life”, no Brasil pela Abril e pela Conrad); “Os Caçadores de Sonhos”, romance em prosa, mas com ilustrações do japonês Yoshitaka Amano (“Sandman: The Dream Hunters”, de 1999; lançado pela Conrad); e, em 2003, “Noites Sem Fim” (“Endless Nights”; no Brasil pela Conrad), em que sete artistas (entre eles Milo Manara e Miguelanxo Prado) desenharam sete histórias curtas, cada uma estrelada por um dos sete Perpétuos (Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desespero, Desejo e Delírio).

Seus trabalhos mais recentes em quadrinhos foram feitos para a grande rival da DC Comics, a editora Marvel. Em 2003, lançou a minissérie “1602” (idem; no Brasil pela Panini), em que recriou alguns dos principais super-heróis da editora no século 17: X-Men, Capitão América, Homem-Aranha, Demolidor e Quarteto Fantástico. Em 2006, foi a vez de “Eternos” (“Eternals”, também pela Panini), em que reinterpreta personagens criados por Jack Kirby pouco conhecidos no Brasil, como Ikaris e Sersi.

Hoje, Neil Gaiman continua envolvido em projetos de quadrinhos, prosa e cinema, e expõe seu cotidiano em seu blog.