Broadway: meca dos musicais
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A peça "The Black Crook", que estreou em Nova York, em 12 de setembro de 1866, é considerada o primeiro musical moderno da história do teatro. O fim da Guerra de Secessão (1861-1865) levou ao crescimento dos negócios e da classe média em Nova York, o que resultou também numa maior procura e oferta por entretenimento. Surgiram vários novos teatros na cidade e um deles era o Niblo's Garden, localizado na Broadway e com uma plateia com mais de três mil lugares.
Foi lá que "The Black Crook" mostrou para uma audiência atônita um novo jeito de contar histórias baseada numa sequência de números musicais, com canções e coreografias de alguma forma relacionadas à narrativa, e em fascinantes (para a época) transformações mecânicas do cenário. Num tempo em que as peças ficavam em cartaz em média de duas a três semanas, "The Black Crook" permaneceu um ano em temporada.
 Reprodução Ginger Rogers e Fred Astaire, astros da Broadway e de Hollywood
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O sucesso de "The Black Crook" inspirou a produção de novas peças naquele formato. Edward Harrigan, Tony Hart e David Braham criaram e produziram entre 1868 e 1874 uma série de comédias musicais baseadas em personagens e situações cotidianas das classes baixas nova-iorquinas que estabeleceram a estrutura que seria seguida por muitas produções do gênero. Na mesma época, só que do outro lado do Atlântico, um trio inglês formado por William Gilbert, Arthur Sullivan e Richard D'Oyly Carte também produzia peças que eles chamavam de "óperas cômicas", mas que na verdade eram musicais, e da melhor qualidade. Além de fazerem muito sucesso na Inglaterra e também nos Estados Unidos, os trabalhos de Gilbert e Sullivan influenciaram muitos criadores de musicais ao longo do século 20.
A ida do produtor britânico George Edwardes com sua companhia, a London Gaiety Girls para Nova York no final do século 19, também é vista por alguns pesquisadores como importante para o estabelecimento do formato dos musicais. Outras contribuições para a consolidação do gênero vieram de vários artistas europeus que haviam imigrado para os Estados Unidos, entre eles, Victor Herbert, Rudolf Friml e Sigmund Romberg. Esses autores trouxeram uma experiência de peças sentimentais e melodiosas que fez Nova York, mais precisamente a Broadway com seus 33 teatros nos primeiros anos do século 20, começar a roubar de Londres o título de capital mundial da arte teatral.
Na década de 1920, a produção das peças musicais na Broadway atinge sua primeira época dourada. Uma série de fatores contribuiu para isso - como a enorme demanda popular pelos espetáculos que levava a estréia de cerca de cinquenta novos musicais por temporada -, mas um dos mais importantes foi o surgimento de uma geração de compositores geniais. Entre eles, George e Ira Gershwin que escreveram "Oh, Kay!" (1926), "Funny Face" (1927) e "Strike Up the Band" (1930), entre outros sucessos, e Cole Porter que compôs as canções de musicais como "Anything Goes" (1934) e "Dubarry Was a Lady" (1939).
Além de Porter e os Gershwin, a geração de compositores que fez a Broadway ter sua "era de ouro" contava com Richard Rodgers e Oscar Hammerstein. Foi Hammerstein quem escreveu "Show Boat" (1927), um musical épico que tinha entre seus temas questões consideradas tabus na época, como racismo e alcoolismo, e que foi o primeiro a usar a música como parte integral da narrativa.
Nem a Grande Depressão fez os musicais e a Broadway perderem seu glamour, popularidade e importância. Pelo contrário, numa época de crise tão severa, foram esses espetáculos que deram a satisfação emocional e a distração que as pessoas necessitavam. Nos anos 1930, os irmãos Gershwin escreveram mais algumas obras-primas do gênero, como "Girl Crazy"(1930) e "Of Thee I Sing" (1931). Em 1935, Ira e George Gershwin levaram para a Broadway sua marcante ópera-jazz "Porgy and Bess".
Naquele momento Hollywood já havia percebido que o sucesso dos musicais no palco não só poderia se repetir nas salas de cinema como também era um dos melhores caminhos para o recém-inventado cinema falado. Os estúdios cinematográficos apostaram no novo gênero e se deram bem, como veremos na próxima página.