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Porém, os dois gêneros têm algumas coisas em comum: ambos são elaborados e caros. Enquanto as peças teatrais ou comédias podem ser realizadas com poucos atores e um set mínimo ou reciclado, os musicais e shows de ficção científica exigem sets, figurinos e maquiagens que são complicados e únicos. Eles também apresentam algo raro (cantar espontaneamente, encontros com extraterrestres) como se fosse comum. E nem tendem a inspirar ambivalência - as pessoas amam ou odeiam.
Quando o musical "O Senhor dos Anéis" estreou em Toronto, a nossa equipe começou a pensar sobre o que acontece quando os musicais se mesclam com ficção científica e fantasia. No processo, descobrimos algumas regras sobre o que pode fazer um projeto desses funcionar. Veja neste artigo o que descobrimos sobre os musicais de ficção científica na realidade e em teoria.
Os musicais e a ficção científica estão um pouco fora da realidade, algumas vezes a ponto de parecerem ridículos. Porém, ao invés de tentarem fugir dessa bobagem, as produções originais mais bem-sucedidas mergulham nela.
![]() Foto de Linnea Frye, cortesia Dad's Garage O elenco do "The Rocky Horror Show", de 2005, no teatro Dad's Garage em Atlanta, Ga |
O musical de ficção científica mais conhecido é o "The Rocky Horror Show", de Richard O'Brien. Nele, os jovens e conservadores Brad Majors e Janet Weiss acabam perdidos em um castelo. Inicialmente eles acreditam ser "algum tipo de hotel de caça para milionários excêntricos", mas na verdade é o lar do travesti da Transilvânia Frank-N-Furter. Raptos ou horrores sucedem-se, dependendo de seu ponto de vista. O musical resultante envolve música incessante, lasers, muita lingerie, a distorção do tempo e um dispositivo de transporte áudio-vibratório-físio-molecular.
A adaptação para o cinema do "The Rocky Horror Picture Show," na qual O'Brien tocou Riff Raff, de algum modo ofuscou a peça original, embora ainda haja grupos teatrais que o apresentam em várias cidades. Nas encenações teatrais do filme, que geralmente ocorrem à meia-noite, os fãs se vestem a caráter, gritam para a tela e jogam coisas como arroz, torradas e papel higiênico. Geralmente, um grupo de atores interpreta o filme em um jogo de sombras na frente da tela.
O vice-campeão na lista dos musicais originais de ficção científica mais famosos (ou infames) é "A Pequena Loja dos Horrores". Este musical muda um pouco a regra "original", pois baseia-se em um filme de Roger Corman, dos anos 60. Howard Ashman e Alan Menken, que trabalharam em musicais da Disney, como "A Pequena Sereia" e "A Bela e a Fera", adaptaram o filme para um musical. E o musical foi adaptado para outro filme, em 1986.
Ele não possui a notoriedade das exibições à meia-noite de "The Rocky Horror Picture Show", porém, "A pequena loja dos horrores" possui fãs devotados. Os dois shows têm o mesmo direcionamento em termos de absurdo. Ao invés do show no tablado e canhões laser, " A Pequena Loja dos Horrores" tem um trio de garotas e uma planta carnívora. Como no "The Rocky Horror Show," os grupos teatrais ainda encenam e viajam com essa peça.
Este dois musicais são estranhos. Eles seguem a primeira regra dos musicais de ficção científica: abrace o absurdo. Ao invés de tentar fazer com que uma idéia boba pareça séria ou legítima, eles atravessam a linha para a loucura e bobagem de uma jeito que funciona.
Os musicais baseados em trabalho de ficção científica existentes também devem fazer isso. Vamos examinar alguns na próxima seção.
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