Quando a música de discoteca (disco music) dos Bee Gees, Abba, Commodores e Donna Summer dominou as paradas de sucesso e o filme “Os Embalos de Sábado à Noite” virou um dos campeões de bilheteria no final dos anos 70, um tipo de canção hedonista e dançante impôs os rumos comerciais da canção popular jovem a partir de então.
![]() Álbum "Voulez-Vous" (1979), do Abba: canções pop que fizeram o disco permanecer 43 semanas na parada de sucesso britânica |
As baladas e as canções para dançar que começam a surgir a partir do final dos anos 70 e início dos anos 80 eram uma miscelânea de gêneros: funk, rock, música eletrônica, disco music etc. Essa mistura resultou em uma canção pop que passou a dominar as paradas de sucesso e as vendagens de disco. O pop tornava-se definitivamente um megagênero que incorporava características de diversos outros ritmos da canção jovem.
A ascensão da música pop como gênero dominante foi coroada em 1.° de dezembro de 1982 com o lançamento do álbum “Thriller”, de Michael Jackson. O disco imediatamente virou um fenômeno de vendagem e execução e atingiu o primeiro lugar das paradas de sucesso em todos os países ocidentais, sendo que nos Estados Unidos permaneceu por 37 semanas como número um. “Thriller” tornou-se o disco mais vendido de todos os tempos com mais de 50 milhões de cópias comercializadas e fez de Michael Jackson o “rei do pop”. Seu reinado incluiu a invenção de um novo jeito de dançar, o moonwalk, o monopólio das pistas de dança e a indicação e a conquista de vários Grammys. Michael Jackson conseguiu desfrutar também de uma nova forma de divulgar música: a Music Television (MTV).
A MTV, canal a cabo especializado em música, se tornaria um dos principais responsáveis pelo sucesso da canção pop. Ao aliar imagens às canções, com os videoclipes, e utilizar-se da televisão, a forma mais popular de entretenimento, para veiculá-los, a MTV colaborou para o reinado do pop e de seus artistas na música popular.
![]() Capa do álbum "Bed Time Stories" (1994), de Madonna, "rainha do pop" desde os anos 80 |
Em 1983, surge a “rainha do pop”. Madonna era uma garota de 25 anos que de uma forma provocativa incluiu sexualidade na canção pop. Com uma aguçada percepção de marketing, que compensava o que ela não tinha de qualidade vocal, Madonna transformou o seu jeito cínico, divertido e polêmico em sua marca registrada. Dessa forma, além de suas canções festivas e dançantes, ela oferecia uma atitude de contestação da moralidade, que logo encontrou identificação com os segmentos marginalizados da época, como a comunidade gay.
Madonna não só mostrou o caminho do sucesso para outras cantoras pop, de Cindy Lauper a Britney Spears, como continuou nas décadas seguintes a reinventar-se, refletindo a natureza mutante da música pop.
O alcance do gênero pop a partir dos anos 80 foi tão poderoso que atingiu boa parte das canções produzidas por grupos ligados ao rock e ao pós-punk. Neste caso, enquadram-se vários sucessos de grupos e artistas daquela década como New Order, Pet Shop Boys, Duran Duran, Tears for Fears, Prince, Phil Collins, Culture Club e Soft Cell.
No Brasil, o fenômeno da música pop foi decisivo na renovação da música jovem e influenciou o pop-rock dos principais grupos da época como Blitz, RPM, Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens, Os Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, entre outros.
O fenômeno da canção pop na década de 80 ajudou a reerguer uma combalida indústria fonográfica e a colocar a música jovem como um dos mais importantes segmentos da indústria de entretenimento mundo afora. Desde então, a música pop estabeleceu uma supremacia estética e comercial comprovada pelo domínio que ela exerce nas últimas décadas no mercado musical. Num segmento que tem movimentado em média US$ 130 bilhões anualmente, de venda de discos a shows, artistas e trabalhos predominantemente no gênero pop estiveram presentes em 42 dos 50 álbuns mais vendidos entre 2001 e 2007, segundo dados da International Federation of the Phonographic Industry (IFPI).