Rave: a festa maior da música eletrônica

Autor: 
Sílvio Anaz

O ponto alto do fenômeno cultural da música tecno são as raves, festas realizadas normalmente ao ar livre em regiões rurais próximas às grandes cidades, mas freqüentadas por jovens urbanos. As primeiras raves teriam surgido, segundo conta Nicolas Saunders no livro “Ecstasy and the Culture Dance”, em Ibiza (Espanha), em 1987. A junção de música eletrônica pop, Ecstasy, o ambiente paradisíaco da ilha e o desejo das pessoas em festejarem sem parar estimulou a realização de festas que duravam dias.

Após o fim do chamado “verão do amor” de 87 em Ibiza, as raves se popularizaram na Inglaterra no final dos anos 80, com as festas sendo realizadas em prédios abandonados e em sítios. Divulgadas por meio de flyers e rádios piratas, elas procuravam não chamar a atenção da polícia. Mas, em 1992, uma rave que durou seis dias e reuniu 40 mil pessoas em Worcestershire, regada a Ecstasy e outras drogas, mostrou para as autoridades e à imprensa que um novo fenômeno surgia na cultura jovem.

As raves e a música eletrônica constituem uma atualização da contracultura na virada do milênio. Movimento que se originou com os escritores beatniks nos anos 50 nos Estados Unidos e teve seus pontos altos com os hippies nos anos 60 e os punks na década de 70, a contracultura representa a oposição da cultura jovem ao estilo de vida da classe média e a insatisfação e descrença da juventude em relação aos valores tradicionais, como educação, carreira profissional e moralidade, entre outros. Já a tecnologia que era um dos alvos da contracultura nos anos 60 é na era da música eletrônica uma de suas aliadas. Um dos grupos de jovens mais identificados com a música eletrônica, os “clubbers” baseiam sua atitude em princípios que são a base da contracultura original, como paz, amor, união e respeito. Outras semelhanças estão no uso de drogas psicoativas e na realização de suas festas e encontros em áreas rurais, ao ar livre e de preferência em locais onde a natureza seja exuberante.

As raves são o ponto alto de um circuito de eventos e espaços e de um estilo de vida que a cultura jovem desenvolvida em torno da música eletrônica fez surgir. Nela, o que se destaca é a possibilidade de realização plena do efeito catártico que a batida hipnótica da música eletrônica pode causar nos participantes. À semelhança de outros momentos da contracultura, a rave faz com que os seus participantes sintam que fazem parte de uma comunidade, só que neste caso de uma comunidade efêmera, que existe apenas enquanto dura a rave.