Renascimento e a música instrumental para orquestra
 © iStockphoto.com/Darklord_71 Estátua de Mozart em parque em Viena
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Para imaginarmos os primeiros dias da música de concerto, devemos ter em mente que há seis séculos uma série de instrumentos que hoje vemos nas orquestras não existiam, ou não tinham o formato que têm atualmente. Por exemplo, onde hoje há o piano, naqueles tempos havia o cravo ou o clavicórdio (instrumento assemelhado ao cravo), e os instrumentos de corda tocados com arco eram variações da viola. É com esses instrumentos que durante o período da
Renascença ocorrem as primeiras experimentações significativas que buscaram dar autonomia à música em relação ao canto e à dança.
Numa época dominada pelos corais e
cantatas, começaram a surgir as primeiras composições exclusivas para instrumentos e que mais tarde resultariam num tipo de composição musical chamada de
sonata. Nela, as sonoridades produzidas por diferentes instrumentos "dialogavam" entre si e não mais com o canto dos corais. É nesse "diálogo", que surge da alternância musical entre os instrumentos, que está a raiz da música de concerto. Com o passar dos anos, as composições musicais puramente instrumentais e as partes instrumentais - prelúdios e interlúdios - das grandes obras vocais passaram a ser denominadas também como
sinfonias ou concertos.
Esse tipo de música desenvolveu-se quase que simultaneamente na Itália, Inglaterra, França, Holanda e Alemanha, mas nos primeiros anos foram os compositores italianos que dominaram o cenário da
música de câmara ou orquestral, graças às obras dos bolonheses Arcangelo Corelli, Antonio Vivaldi e Giuseppe Tartini. Além deles, também se destacaram Henry Purcell, na Inglaterra, e François Couperin e Jean-Marie Leclair, na França, todos influenciados pelos compositores italianos.
No século 17, durante o predomínio do estilo
barroco nas artes, a música de concerto alcança seu primeiro apogeu com as composições de
Johann Sebastian Bach (1685–1750) e de
George Frideric Handel (1685–1759). Os dois compositores, nascidos na mesma região alemã, criados na Igreja Luetarana e originalmente organistas, tornaram-se mestres de diferentes formas musicais, mas juntos foram responsáveis por estabelecer o revolucionário
sistema tonal na música, a partir das mudanças técnicas com que impregnaram suas obras. O resultado foi o surgimento de uma linguagem harmônica rica e cromática.
A fusão do contraponto, técnica de composição em que se sobrepõem melodias distintas executadas simultaneamente, com o estilo homofônico, em que há similaridade rítmica em várias sonoridades, resultou em uma textura musical híbrida que funcionou como fundamento para a execução de duas ou mais linhas melódicas independentes (polifonia) nas composições. Bach e Hendel provocaram uma revolução na música instrumental que abriria caminho para o surgimento de uma nova safra de gênios musicais como veremos na próxima página.