A conquista de novos públicos: de brega a cult

Com o processo de redemocratização do país a partir dos anos 80, o engajamento da MPB perdeu sua razão de ser e a música produzida no Brasil ganhou contornos cada vez mais leves e românticos. Isso tornou ainda mais difícil a classificação dos inúmeros “estilos” que surgiram a partir de então. Com o lançamento de novos artistas que buscaram referências na música caipira, no samba, no forró, o já tão elástico e abrangente gênero brega foi sendo subdividido em novas categorias, como brega-popularesco, breganejo, sambrega, forró-brega, brega-pop, a fim de englobar todas as novidades a partir de então. Esta profusão de novas tendências contribuiu para que a música brega ganhasse espaço também junto às camadas médias da população.

Sidney Magal
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Sidney Magal, de ídolo popular a cult

Mas foi o cantor e compositor Eduardo Dusek que aproximou pela primeira vez os universos do brega e do chique, ao lançar o disco “Brega-Chique”, em 1984. Com uma forma satírica de tratar a música brega, conseguiu chamar atenção de um público mais intelectualizado até então totalmente avesso ao estilo. Movimento que foi levado à frente na década de 90 por bandas como Língua de Trapo, Vexame, os Cariocas e pelo cantor Falcão, que regravou uma versão em inglês, “I’m Not Dog No”, do clássico “Eu Não Sou Cachorro Não”.

Nos anos 2000, uma verdadeira onda de resgate do brega tomou conta do cenário musical. Artistas consagrados da MPB, como Caetano Veloso, Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, Zeca Baleiro, Lenine, Chico César e Carlinhos Brown, só para citar alguns, resolveram fazer incursões pelo gênero. Com isso, cantores como Sidney Magal, Gretchen, Odair José, Amado Batista, Almir Rogério, Waldick Soriano e Agnaldo Timóteo, entre inúmeros outros, foram redescobertos e conseguiram regravar seus sucessos, virando ícones cult de outras gerações.

Trio Los Angeles­
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Trio Los Angeles, um dos grupos mais tocados no ­revival do brega-pop dos anos 80

O motivo deste revival provoca as mais diferentes opiniões: uma valorização tardia da contribuição do gênero brega para a música popular brasileira; a necessidade que a cultura tem de buscar referências em gerações anteriores para a criação de novas tendências; a pobreza da música popular brasileira na atualidade; oportunismo a fim de atrair as camadas populares para o consumo de cantores de um nível “mais elevado” da moderna música popular. Seja qual for a resposta, o fato é que este resgate fez com que novos públicos descobrissem o estilo musical. E que, sem culpa, pudessem entoar alguns dos clássicos do cancioneiro brega. Afinal, quem nunca cantarolou um trechinho sequer de “Menina Veneno” que atire a primeira pedra.