Terras do infinito e do além

No ar
Nos quadrinhos da Mulher Maravilha dos anos 70, ela aprendeu a voar. Mais precisamente, planar nas correntes de ar.
Ao longo dos anos 70 e início dos 80, as histórias em quadrinhos da Mulher Maravilha sofreram os mesmos problemas que as outras histórias da época. Havia um número crescente de "universos paralelos" que foram criados para amenizar os erros de continuidade, tais como histórias conflitantes e falsas origens. Sempre que um escritor queria mudar o passado de uma personagem ou ignorar parte de sua história, ele iria fazê-lo e em seguida explicar que as próximas dez edições se passavam na "Terra-3" ao invés de na Terra normal. As raízes desta prática podem ser vistas nos primeiros "Contos Impossíveis", em que Bebê Maravilha, Mulher Maravilha e Moça Maravilha existiram na mesma história.

Foto cedida pela DC Comics
A Mulher Maravilha no auge da crise

Foi um recurso útil até as tramas e histórias dos personagens se tornarem tão fragmentadas e confusas que ninguém mais podia se lembrar da verdade. Por fim, a DC percebeu isso e criou a série "Crise nas Infinitas Terras", em que eles aniquilaram todos os mundos paralelos e seus personagens, deixando só um e reescreveram uma versão padrão da história de cada personagem que não podia mais ser alterada. Como parte dessa arrumação, a Mulher Maravilha foi morta para ser trazida depois em uma nova série.

Assim como os outros personagens da DC, a história da Mulher Maravilha foi reescrita após "A Crise". O escritor George Perez inventou a nova série dando ênfase à mitologia grega e aos conflitos entre os deuses. A nova Mulher Maravilha veio ao mundo dos homens falando somente grego antigo, sem conhecer a civilização atual. Embora parecida fisicamente, a nova Etta Candy não fazia mais parte da fraternidade; no mundo pós-crise ela era uma oficial militar. Steve Trevor era bem mais velho que nas histórias antigas. Sendo assim, ele agora se interessava pela Etta ao invés da Mulher Maravilha.

Eis a origem da versão atual da Mulher Maravilha que está no site da DC Comics. Eles usaram o resumo da história original de William Marston e a transformaram em algo um pouco diferente:

Ela é o espírito reencarnado de uma criança humana que morreu no ventre de sua mãe cerca de 30 mil anos atrás e foi trazida à vida por várias deusas gregas com a finalidade de combater as conspirações de Ares, o deus da guerra... Essas deusas gregas, assim como Hermes, o deus mensageiro, puseram o espírito dentro de uma escultura de barro moldada por Hypólita, revivendo-a. Tendo recebido poderes especiais de cada uma das deusas do Olimpo, Diana entrou secretamente no torneio cujo objetivo era escolher a melhor amazona para confrontar o deus da guerra. Ela ganhou e, como campeã de Themyscira, derrotou Ares antes que ele causasse um holocausto nuclear.