Em 1921, três anos antes da falência de sua primeira editora, Monteiro Lobato lança uma de suas mais célebres criações, o “Sítio do Picapau Amarelo”, com a publicação de “A menina do narizinho arrebitado”. Com o sítio, ele torna-se o pai da literatura infantil brasileira, inaugurando esse gênero moderno por essência, que pressupõe uma visão das crianças como leitores inteligentes, que exigem uma literatura distinta da produzida para os adultos.
![]() Reprodução As histórias do "Sítio do Picapau Amarelo" continuam a fazer sucesso junto ao público infantil |
Com o “Sítio”, Monteiro Lobato passa a fazer parte da formação de gerações e gerações de brasileiros, por meio de histórias cujo conteúdo educativo se mescla à irreverência, à liberdade de imaginação, ao incentivo ao questionamento e ao desenvolvimento de leitores críticos e independentes. Nesse espaço ficcional moderno e democrático, convivem figuras típicas da cultura brasileira - como o Saci, a boneca de pano e o curupira-, heróis da mitologia grega, personagens de desenho animado e uma infinidade de tipos e situações que fundem o arcaico ao moderno, a realidade à fantasia, em formas narrativas coloquiais e despojadas, que lembram a tradição oral de contar histórias.
Outra característica da modernidade da obra infantil lobatiana é a produção em série, na qual as mesmas personagens, num mesmo cenário, reaparecem em diversos livros, abrindo a possibilidade de uma seqüência sem limites e fortalecendo a relação de fidelidade entre os leitores e a obra. Ao todo, a obra infantil lobatiana desenrola-se por 17 títulos, com textos que fazem referência uns aos outros, numa estrutura cíclica.
![]() Reprodução Na versão do "Sítio do Picapau Amarelo" para a TV que foi ao ar entre 1977 e 1986, a trilha sonora teve canções de Gilberto Gil e Dori Caymmi |
Ao lado dos inúmeros empreendimentos nos quais se envolvia e, ao mesmo tempo em que produzia livros adultos e artigos para a imprensa, Monteiro Lobato manteve-se dedicado à literatura infantil ao longo de toda a sua vida.