![]() Foto sob licença de Monteiro Lobato Licenciamentos A experiência de Monteiro Lobato com a roça o levou a criar em 1914 o personagem "Jeca Tatu", um caipira preguiçoso |
É desse período de
iniciativas frustradas de modernização dos processos agrários que surge
a figura do “Jeca Tatu”, crítica ferrenha (da qual, posteriormente,
Monteiro Lobato se arrepende) do caipira colono, o qual Monteiro Lobato
culpa pelas constantes queimadas e pelos prejuízos à natureza
acarretados por essa prática. No Brasil do início do século 20, quando
pouco se falava de preservação ambiental, a postura de Monteiro Lobato
é louvável e coerente com sua visão avançada para o seu tempo.
Finalmente, em 1917, Monteiro Lobato vende a fazenda e muda-se, com a
família, para São Paulo. No ano seguinte, compra a “Revista do Brasil”,
passando de colaborador a proprietário, e funda a editora Monteiro
Lobato & Cia, que viria a se tornar a Companhia Gráfico-Editora
Monteiro Lobato.
Como editor, Monteiro Lobato publica seu primeiro livro, “Urupês”
(1918), obtendo um enorme sucesso editorial, com milhares de exemplares
esgotados em um ano. Revela-se, então, um grande homem de negócios,
além de gênio das letras. Com grande tino comercial, enxerga, além do
valor literário, o caráter mercadológico dos livros, criando
estratégias inusitadas para sua distribuição e valorizando os apelos
visuais e gráficos, elaborando capas atraentes - com o mesmo cuidado
que as embalagens são criadas, não só para proteger, mas para vender a
mercadoria – e títulos chamativos, como os rótulos de produtos.
![]() Reprodução sob licença de Monteiro Lobato Licenciamentos Com o "O Sacy-Perêrê", Monteiro Lobato mergulhava no universo das lendas e dos mitos brasileiros |
Driblando a escassez de livrarias no Brasil da época, apenas 40 em todo o País, Monteiro Lobato é pioneiro na implantação de um sistema alternativo de distribuição de livros, passando a colocá-los à venda também em bancas, farmácias, papelarias e outros pontos variados de comércio.
Com a revolução de 1924, que paralisou São Paulo, a estiagem prolongada que obriga ao racionamento de energia e a política econômica que impõe crescentes restrições ao crédito, a editora vai à falência. Mas, em apenas um ano, Monteiro Lobato retorna ao mercado editorial, fundando a Companhia Editora Nacional, a primeira das grandes editoras modernas do Brasil, inaugurada com a tradução do primeiro livro escrito sobre o país: “Hans Staden: meu cativeiro entre os selvagens do Brasil”.
Recém saído da falência, lutando para melhorar as condições da produção editorial no país, Monteiro Lobato passa a escrever artigos criticando o governo e defendendo mudanças na política econômica, como a estabilização da moeda e o fim da lei que taxava em 170% a importação do papel para livros e, curiosamente, liberava da taxa o papel importado para jornal.