Introdução


Monteiro Lobato

A primeira imagem que vem à cabeça quando se pensa em Monteiro Lobato é a do Sítio do Picapau Amarelo e seus personagens, habitantes de um recanto de magia que fez e continua fazendo parte da infância de muitos brasileiros, sob forma de livro, série de TV, brinquedos e outras. Mas o universo vivido e criado por Monteiro Lobato, na literatura e na vida, vai muito além da porteira do Sítio, com histórias e aventuras ainda mais incríveis que as criadas por ele na ficção infantil.


Monteiro Lobato
Foto: sob licença de Monteiro Lobato Licenciamentos
O escritor Monteiro Lobato na redação da "Revista do Brasil"


Neto do Visconde de Tremembé, filho de proprietários rurais, criado entre a roça e a cidade, o menino Juca, como era chamado em casa, cresceu para realizar empreendimentos dos mais surpreendentes, nas diversas áreas em que atuou ao longo de uma vida marcada por idéias e ações progressistas, ousadas, à frente de seu tempo.

Narizinho
Reprodução sob licença de Monteiro Lobato Licenciamentos
Edição original de "A Menina do Narizinho Arrebitado"


Sua história começa em 18 de abril de 1882, quando nasce e recebe o nome de José Renato Monteiro Lobato, em Taubaté, interior de São Paulo. Fascinado pelas iniciais de seu pai, J. B., gravadas na bengala que viria a herdar no futuro, o menino decide mudar seu nome, por volta dos 11 anos de idade, para José Bento Monteiro Lobato. Essa talvez seja a primeira manifestação de seu gênio criador e de sua personalidade decidida, que o leva a inventar seu próprio nome, como viria a fazer com seus personagens.


Moderno, sim. Modernista, não

Na historiografia literária brasileira, Monteiro Lobato representa uma ruptura com a tradição europeizante que predominava entre os escritores do final do século 19 e início do 20. Seu estilo apresenta traços inequívocos de modernidade, como o non-sense, as narrativas marcadas por forte oralidade, a criação de vocábulos, a representação simbólica e simultânea do arcaico e do novo. Entretanto, a relação de Lobato com o modernismo brasileiro é, no mínimo, controversa. Em 1917, ele publica uma crítica desfavorável às pinturas de Anita Malfatti, discípula do Modernismo Europeu, em O Estado de S. Paulo, ao mesmo tempo em que Oswald de Andrade, no Jornal do Comércio, faz elogios à pintora. O desencontro de opiniões acabou conferindo ao escritor uma imagem de “anti-moderno”, mas suas críticas eram aos “ismos” europeus, aos modismos culturais importados, o que não o impedia de reconhecer o talento dos colegas modernistas e de ser lido e reconhecido por eles.