Modernismo na literatura e em outras artes

TS Eliot
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Livro de poemas do
escritor modernista T.S. Eliot

A revolução modernista na literatura começou a ser semeada entre 1855 e 1857 quando Walt Whitman laçou “Folhas da Relva”, nos Estados Unidos, e Charles Baudelaire publicou “Flores do Mal”, na Europa. Dos dois lados do atlântico, a vida e os valores da modernidade viravam poesia. Cerca de meio século depois, com os lançamentos de “O Caminho de Swann”, de Marcel Proust, “Filhos e Amantes”, de D.H. Lawrence, “Os Dublinenses”, de James Joyce, “Manifesto Vorticista”, de Ezra Pound, e “Morte em Veneza”, de Thomas Mann, consolidava-se a estética modernista na literatura.

O individualismo exacerbado, a fascinação pela vida moderna e urbana e pela tecnologia, os temas cotidianos e da cultura popular, uma linguagem inventiva, o que incluiu a incorporação da fala coloquial, dos versos livres e da ruptura com os cânones literários, e narrativas fragmentadas e descontínuas foram algumas das principais inovações que o Modernismo trouxe para a literatura.

A primeira metade do século 20 assistiu a um verdadeiro florescimento literário modernista. Autores como Virginia Woolf (“Orlando”, 1928), T. S. Eliot (“The Waste Land”, 1922), William Faulkner (“O Som e a Fúria”, 1929), Ernest Hemingway (“Por Quem os Sinos Dobram, 1940), Franz Kafka (“A Metamorfose”, 1915) foram alguns dos expoentes do período. No Brasil, um componente nacionalista deu uma particularidade a mais no modernismo na literatura. A partir dos manifestos da Poesia Pau-Brasil, Antropofágico e Verde-Amarelismo procurou-se trazer as novidades da vanguarda da arte internacional e incluir elementos nacionais. Mário de Andrade (“Macunaíma”, 1928), Oswald de Andrade (“Pau Brasil”, 1925), Manuel Bandeira (“Libertinagem”, 1930), Érico Veríssimo (“O Tempo e o Vento”, 1949-1962), Graciliano Ramos (“Vidas Secas”, 1938) e Raquel de Queiroz (“O Quinze”, 1930) foram alguns dos autores que se destacaram no modernismo literário brasileiro.

Cidadão Kane
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O filme "Cidadão Kane", de Orson Welles,
é um dos clássicos do Modernismo no cinema


A literatura modernista nasceu subversiva e impulsionada por vanguardas artísticas que lançaram vários manifestos. Um dos primeiros foi o manifesto Futurista, escrito pelo poeta italiano Filippo Marinetti e publicado em 1909. Coragem, audácia e revolta deveriam ser os elementos essenciais da poesia futurista e seus seguidores devotariam o amor à velocidade, ao perigo, à pátria e à guerra. O futurismo identificou-se nas décadas seguintes com o fascismo. Em 1916, para protestar contra a loucura da Primeira Guerra Mundial, um grupo de artistas refugiados em Zurique (Suiça) lança o manifesto Dadá, um dos mais importantes do Modernismo, que daria origem ao Dadaísmo, um movimento contra tudo. Versos nonsense declamados em várias línguas, obscenos e agressivos eram um das formas do Dadaísmo escandalizar e denunciar um mundo sem sentido. Em 1924, o escritor francês André Breton lançou o manifesto Surrealista, um dos mais famosos do movimento modernista. Nele propunha uma arte feita a partir do inconsciente, que escapasse ao controle da consciência, e que possibilitasse uma livre associação entre os sonhos, as alucinações e a realidade.

A revolução modernista também chegou às outras artes. No cinema, “Cidadão Kane”, dirigido por Orson Welles e lançado em 1941, é um dos melhores exemplos da estética modernista na sétima arte. Além das inovações na narrativa, o filme trouxe várias transformações tecnológicas e estilísticas, como os planos nada convencionais para a época – com tomadas de baixo para cima, imagens distorcidas, focos diferenciados e efeitos de profundidade –, além de uma inusitada iluminação. No teatro, as peças de Luigi Pirandello (“Seis Personagens à Procura de um Autor”, 1921) e de Samuel Beckett (“Esperando Godot”, 1952) mudaram os rumos da dramaturgia. Na dança, as primeiras décadas do século 20 trouxeram uma transformação radical. Os trabalhos do russo Vaslav Nijinsky e da norte-americana Isadora Duncan deram novos padrões ao balé clássico.

Antes e depois

Para ter uma idéia da transformação que o Modernismo causou na literatura, leia como era uma poesia típica do Parnasianismo, movimento literário academicista anterior ao movimento modernista, e a compare com uma do Modernismo:

Parnasianismo

Via Láctea (soneto 13)
de Olavo Bilac

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".



Modernismo

Canto de Regresso à Pátria
de Oswald de Andrade

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.