Michael Jackson: ascensão e queda do rei do pop
O primeiro passo para Michael Jackson tornar-se rei do pop aconteceu em 1979 quando Quincy Jones assumiu a produção do próximo disco solo do artista. “Off the wall” é uma obra-prima que reúne um dos melhores repertórios de canções dançantes já vistos na
música pop. Entre os sucessos do álbum estão as canções “Don’t stop 'til you get enough” e “Rock with you”, músicas que se tornaram clássicos da era das discotecas. O álbum marca também o início da parceria de Michael com Paul McCartney. A canção “Girlfriend” escrita pelo ex-Beatle ganhou uma nova versão na voz de Jackson. O disco imediatamente virou um dos mais vendidos e suas canções permaneceram por mais de um ano entre as mais executadas.
 Reprodução Michael Jackson como capa da revista Rolling Stone nos anos 80
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A parceria Michael Jackson-Quincy Jones chegaria ao ápice em 1982. Foi naquele ano que nasceu “Thriller”, o que seria o mais bem-sucedido álbum da história da cultura pop. A mistura de baladas,
rocks, cantos africanos e músicas muito dançantes fez do disco um fenômeno de vendagem imediato. Lançado em 1º de dezembro de 1982, ele ficou 37 semanas em primeiro lugar na parada de sucesso norte-americana. Durante um ano e meio, o álbum esteve entre os dez mais da Billboard. Entre os motivos para isso estão a dançante canção “Beat it”, que traz um solo impressionante de Eddie Van Halen, um dos
melhores guitarristas da história, um dueto com Paul McCartney em “The girl is mine” e a funkeada “Billie Jean”, uma das
melhores canções dos anos 80, segundo a crítica. “Thriller” trouxe ainda outras novidades, como a série de videoclipes de suas canções que tornaram-se os primeiros de um artista negro a ser veiculado pela MTV.
“Thriller” já era um fenômeno pop quando Michael Jackson subiu pela segunda vez ao palco do Pasadena Civic Auditorium, em 25 de março de 1983. Numa noite dedicada a celebrar os 25 anos de existência da Motowm, The Temptations, Smokey Robinson e o Jackson Five realizaram apresentações pra lá de especiais. Mas ninguém imaginava o que estava por vir. Após a apresentação com os irmãos, Michael voltou aos palcos para interpretar “Billie Jean”. Vestido de smoking e meias brilhantes, de repente, enquanto cantava, ele fez um inusitado movimento com a pélvis e começou magicamente a caminhar para trás, deslizando seus pés pelo palco, como se estivesse sendo manipulado por cordas invisíveis ou brincando num local sem gravidade. Uma platéia estupefata acabava de assistir à "invenção" do
moonwalk, um passo de dança que o artista trouxe dos guetos da cultura
hip-hop para torná-lo mundialmente famoso (na verdade, o movimento feito por Jackson em "Billie Jean" se chamava originalmente
backslide, mas acabou graças as suas performances popularizado como
moonwalk).
Nos princípios dos
anos 80, Michael Jackson atingiu um status artístico que fazia com que praticamente todo mundo que importava quisesse trabalhar com ele: Steven Spielberg, Queen, Jane Fonda. Em entrevista para a revista Rolling Stone em 1983, Michael revelou seu vício pelos shows e sua timidez que se transformava quando ele subia em um palco. Para acalmar o vício, ele dançava “até cair” todos os domingos em casa. No final de 1983, a Billboard mostrava que Michael Jackson era o mais importante artista do pop, da black e da dance music.
 Reprodução Uma das muitas biografias não autorizadas de Michael Jackson
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Mas não era só o seu sucesso que impressionava. Suas esquisitices também começavam a se tornar públicas. A imprensa mais sensacionalista já questionava sua sexualidade desde os tempos do Jackson Five, só que agora outras atitudes do astro alimentavam especulações sobre seu comportamento. Uma das mais evidentes eram as plásticas a que se submeteu com menos de 25 anos de idade e o tratamento para pele, supostamente por conta do vitiligo, que acabou por “branqueá-lo”.
Em 1987, Jackson lançou “Bad”, outro disco repleto de sucessos, e iniciou uma turnê mundial de 123 shows, que atraiu 4,4 milhões de fãs e rendeu US$ 125 milhões. Mas suas excentricidades não paravam. No meio da turnê a mansão-rancho que construía ao norte de Los Angeles ficou pronta. Ele a chamou de “Neverland” (Terra do Nunca) em referência ao mundo fictício de Peter Pan. Meio rancho, meio parque de diversões, Neverland seria o cenário dos escândalos das acusações de abuso infantil que aconteceriam contra o astro durante os anos 90. A década teve também os estranhos casamentos de Michael com Lisa Marie Presley, filha do rei do
rock Elvis Presley, e com a enfermeira Deborah Rowe, com quem teve dois filhos.
Entre os anos 90 e o começo dos anos 2000, a performance musical de Michael Jackson ficou em segundo plano em função dos comportamentos do astro e de todo o mistério que alimentou em relação a sua vida pessoal, como seu terceiro filho que nasceu em 2002 e cuja mãe mantém-se anônima. Nesse período, Jackson lançou, entre outros, os álbuns “Dangerous” (1992) e “Invincible” (2001). Mesmo nessa fase de “queda” artística, seus álbuns venderam dezenas de milhões de cópias, canções como “Black or white (1991/1992) e “You rock my world” (2001) chegaram aos primeiros lugares das paradas e suas performances são as mais aguardadas. Prova definitiva de que o rei do pop continuou a reinar foi o alvoroço dos fãs em relação ao seu retorno aos palcos em 2009, para aquela que ele anunciou como a sua última turnê. Mas, esse retorno não aconteceu. Michael Jackson morreu aos 50 anos de idade em 25 de junho de 2009.