Os melhores rocks nacionais: dos anos 80 aos 2000

Inútil

Ultraje a rigor
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Provavelmente nenhuma canção do repertório nacional retratou o Brasil de forma tão irônica e direta como “Inútil”, do Ultraje a Rigor. Básica e visceral no som e na letra, como os melhores punks já feitos, ela mostra uma visão ácida e sarcástica da sociedade e do comportamento brasileiro. Um desfile de fiascos e incapacidades que atormentaram a nação nos anos 70 e 80, ela foi composta por Roger Moreira e lançada no primeiro compacto do grupo em 1983 (e depois no álbum “Nós vamos Invadir sua Praia”, de 1985). O sucesso da canção foi imediato e o refrão – “Inútil, a gente somos inútil” – permaneceu no imaginário nacional como uma autocrítica contundente.           


Hoje

Camisa de Vênus
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O grupo baiano Camisa de Vênus produziu algumas das melhores obras da geração que surgiu nos anos 80. Canções como “É Só o Fim”, “Eu Não Matei Joana D’Arc” e “Bete Morreu” fazem parte do repertório dos clássicos do rock brasileiro. Uma de suas mais impactantes canções é “Hoje”. Composição de Marcelo Nova e Karl Hummel, a música foi lançada no disco “Batalhões de Estranhos” (1984). A influência do punk na sonoridade da canção cria o clima necessário à urgência com que Marcelo Nova canta uma colagem poética reveladora de um mundo esquizofrênico e de indivíduos perdidos, tentando escapar da mediocridade ao redor.      


Geração Coca-Cola

Legião Urbana
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Marcelo Bonfá, Renato Russo e Dado Villa-Lobos, da Legião Urbana

Fortemente influenciada pela sonoridade e temas do pós-punk britânico dos anos 70 e 80, a Legião Urbana foi um dos expoentes do pop-rock brasileiro. Muito graças às letras do vocalista Renato Russo, um dos melhores compositores de música jovem no Brasil. Décadas após terem sido lançados, vários sucessos do grupo continuam a ser cantados pela juventude. Canções como “O Teatro dos Vampiros”, “Será”, “Que País é Este?”, “Meninos e Meninas” e “Por Enquanto” parecem ainda expressar os anseios e as angústias dos jovens. Um de seus melhores rocks é a canção “Geração Coca-Cola”, lançada no álbum “Legião Urbana” (1985). Com nítidas influências punks, ela expressou a indignação da juventude brasileira em tempos de crises e de final de ditadura.    


Polícia

titãs
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Em 1986, os Titãs lançaram “Cabeça Dinossauro”, um dos melhores álbuns da história do rock nacional. No disco, canções como “Porrada”, “Homem Primata”, “Estado Violência”, “Igreja”, “AA UU” mostravam a vitalidade do rock que surgiu com a geração dos anos 80. Um dos destaques do repertório desse disco foi a canção “Polícia”, composta pelo guitarrista Toni Bellotto. Rápida, pesada, com letras gritadas, totalmente punk, a canção fazia um protesto radical contra a instituição que é um dos maiores símbolos da repressão. Mas, mais do que isso, em seu refrão – “Polícia para quem precisa, polícia para quem precisa de polícia” – a ambiguidade da letra deixava implícita uma crítica à impunidade. A canção foi regravada por grupos como Os Paralamas do Sucesso e Sepultura.      


A Cidade

Chico Science e Nação Zumbi
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Ela é uma obra-prima do movimento Mangue Beat. Mistura de rock, rap e maracatu, um dos gêneros tradicionais pernambucanos, “A Cidade” mostra uma visão de mundo sombria da sociedade urbana. Crítica social contundente sobre o abismo social brasileiro, ela traz uma sonoridade inventiva, pesada e ao mesmo tempo dançante. Um rock tipo exportação carregado de originalidade, exemplo perfeito da antropofagia cultural proposta pelo Modernismo brasileiro décadas antes e que teve no Tropicalismo e no Mangue Beat suas melhores expressões na canção popular. Composta por Chico Science e lançada no álbum “Da Lama ao Caos” (1994), ela fez a Nação Zumbi e o movimento Mangue Beat se tornarem nacionalmente conhecidos.