Os dez melhores livros de todos os tempos

Dom Quixote, de Miguel de Cervantes

Pôster do filme Moby Dick
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Com “Dom Quixote” nasceu o romance moderno. A saga do idealista, insano e devotado cavaleiro errante Dom Quixote de La Mancha, publicada na Renascença como uma sátira aos valores medievais das novelas de cavalaria (histórias de cavaleiros puros em aventuras inverossímeis na defesa dos mais fracos), se revelou um épico sobre as paixões, fraquezas e grandezas do ser humano. Na obra, Cervantes coloca lado a lado seu humor ferino e um olhar condescendente sobre a triste figura do lunático cavaleiro que vive num mundo de sonhos, construído a partir de suas incansáveis leituras das histórias fantásticas contidas nas novelas de cavalaria. O clássico escrito por Miguel de Cervantes trouxe o embrião da forma estética do romance literário moderno. Em 2001, o livro, que foi publicado em duas partes em 1605 e 1615, foi escolhido como a obra de ficção mais importante de todos os tempos, por cem dos principais escritores do mundo, em eleição promovida pela The Nobel Foundation.


Moby Dick, de Herman Melville

Pôster do filme Moby Dick
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Assim como a figura de Dom Quixote já pertence ao imaginário popular, a história da gigantesca baleia branca que aterroriza os mares também. O texto de Herman Melville foi publicado em 1851 e se tornou uma das mais importantes obras literárias da língua inglesa. A aventura épica é narrada por Ismael, um marinheiro a bordo de um navio baleeiro. A embarcação é comandada pelo insano capitão Ahab, que fará de tudo, até sacrificar a própria vida e a da tripulação, na sua busca obsessiva por uma baleia branca que arrancou uma de suas pernas. “Moby Dick” esconde sob a aventura narrada várias metáforas, simbolismos e questões filosóficas. A obra é vista como um marco no gênero, um clássico que influenciou o nascimento de outros grandes livros de aventuras, como os escritos por Joseph Conrad e Júlio Verne, entre outros.


Crime e Castigo, de Fiódor Dostoievsky

Pôster do filme Moby Dick
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Raskolnikov é um estudante que vive em precárias condições em São Petesburgo (Rússia). Sem dinheiro sequer para pagar o aluguel e se alimentar decentemente, ele planeja o assassinato de Alena, uma velha senhora agiota. Sua intenção não é apenas ficar com a fortuna dela para resolver seus problemas materiais, mas principalmente ter uma atitude altruísta ao livrar a sociedade de uma figura tão mesquinha e desprezível. Mas, ao colocar seu plano em ação, ele acaba tendo que matar, além de Alena, a meia-irmã dela que chega à cena do crime na “hora errada”. Ao invés de um romance policial, o que lemos em “Crime e Castigo” é uma profunda investigação psicológica dos personagens que vivem sob situações angustiantes de pressão moral e material. O romance foi lançado em 1866, numa época em que seu autor, o escritor russo Fiódor Dostoievsky, lidava com as perdas recentes de seu irmão e de sua primeira esposa e enfrentava sérias dificuldades para sobreviver. O sentimento de culpa e de autopunição de Raskolnikov até alcançar sua redenção está no âmago desse que é um dos melhores romances da riquíssima literatura russa.


Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust

Pôster do filme Moby Dick
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A consciência humana nunca foi tão poeticamente explorada como nos sete volumes de “Em Busca do Tempo Perdido”, escritos pelo francês Marcel Proust. Lançada entre 1913 e 1927, a obra é composta por “O Caminho de Swann”, “À Sombra das Raparigas em Flor”, “O Caminho de Guermantes”, “Sodoma e Gomorra”, “A Prisioneira”, “A Fugitiva” e “O Tempo Redescoberto”. A sociedade francesa na transição dos séculos 19 para o 20 é o pano de fundo desse trabalho que foi um dos expoentes do Modernismo europeu. O papel da memória e sua relação com o tempo, as reflexões sobre a arte e a ambiguidade sexual de alguns personagens centrais compõem o núcleo principal dos temas explorados por Proust. Segundo Marion Schmid, da Universidade de Edimburgo, o escritor desafiou as concepções tradicionais de tempo e espaço e questionou as noções recebidas de classe social, gênero e raça.


A Metamorfose, de Franz Kafka

Pôster do filme Moby Dick
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Em “A Metamorfose”, publicado em 1915, a história de um homem que acorda transformado em um gigantesco inseto já foi interpretada como uma obra de realismo fantástico ou como uma alegoria. Gregor Samsa é um caixeiro-viajante que considera seu trabalho um martírio, mas que com ele sustenta seus pais e irmã. A transformação física e psíquica de Gregor ao longo do livro mostra um personagem que não consegue lutar contra forças que há tempos vêm lhe tirando sua dignidade e sua condição humana, até por que ele próprio parece não ser consciente delas. Escrita por Franz Kafka num momento em que o mundo vivia o fim da “Bélle Époque” e estava às vésperas da carnificina que foi a Primeira Guerra Mundial, a obra mostra uma visão pessimista, desesperançada e sombria do ser humano. Mas, estranhamente é justamente desse ápice de um processo de degradação, anulação e morte de Gregor que nasce a possibilidade daqueles que dele dependiam se emanciparem.


Ulisses, de James Joyce
Pôster do filme Moby Dick
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Capa da primeira edição francesa

Para os críticos e estudiosos, “Ulisses” é a mais importante obra literária do século 20. Lançada em 1922, o livro do irlandês James Joyce narra um dia na vida de Leopold Bloom em Dublin (Irlanda). Usando o épico “Odisséia”, de Homero, como base, Joyce procurou mostrar na obra, que levou sete anos para escrever, uma súmula de todas as experiências do homem moderno. O resultado foi uma revolução. Se três séculos antes Miguel de Cervantes inventou o romance moderno com “Dom Quixote”, Joyce o revolucionou ao romper com as convenções estéticas que até então definiam essa forma literária. Sua complexidade linguística, suas inúmeras citações eruditas, a criação de palavras, a ruptura de sintaxe e o uso intenso do monólogo interior o fazem um livro de difícil leitura, mas de uma capacidade ímpar de traçar um panorama da Modernidade.


1984, de George Orwell
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O Grande Irmão (Big Brother) tudo ouve e tudo vê. Numa sociedade socialista e totalitária, ele vigia a todos para que ninguém exerça seu individualismo ou tenha pensamentos perigosos contra o regime. Nesse mundo, Winston Smith é um funcionário do Ministério da Verdade dedicado a manipular as estatísticas governamentais, que se envolve com Julia, uma funcionária do oficial Departamento de Ficção, que entre outras atividades produz pornografia para as massas. Os dois se apaixonam e se rebelam. “1984” foi publicado em 1949 com uma visão sombria de um futuro dominado por um regime ditatorial, vigilante e opressor. O livro surgiu num momento em que as duas superpotências – Estados Unidos e União Soviética – dividiam o mundo em suas áreas de influência. Orwell já havia explorado o tema do totalitarismo na obra “A Revolução dos Bichos” (1945), mas com um tom mais satírico na paródia que fez da revolução soviética e da era Stalin. Em “1984”, no entanto, ele nos mostra sua visão amarga de um mundo dominado pelo terrorismo oficial.


O Apanhador no Campo de Centeios, de J. D. Salinger

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A obra-prima do enigmático escritor norte-americano Jerome David Salinger é também uma das preferidas pelos leitores. A história de um adolescente rebelde tem inspirado gerações desde 1951 quando foi publicada. Holden Caulfield é um jovem sem rumo, que foi expulso pela terceira vez da escola. Em vez de seguir para casa e contar a má notícia, ele decide se hospedar em um hotel barato de Nova York. Entediado e deprimido, ele perambula pela grande cidade e inevitavelmente se envolve em encrencas. Salinger traça em “O Apanhador no Campo de Centeio” um brilhante retrato das angústias da adolescência tendo como pano de fundo a crise existencial da classe média norte-americana nos “dourados” anos 50. Nenhum escritor entendeu tão bem o espírito adolescente como fez Salinger. A descoberta por Caulfield de que o mundo e as pessoas não são na verdade como lhe prometeram é mostrada de forma sensível, inquietante e com humor negro pelo escritor.


O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien

Pôster do filme Moby Dick
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“O Senhor dos Anéis”, o épico criado pelo escritor inglês John Ronald Reuel Tolkien, é outra obra literária que predomina nas listas dos livros preferidos dos leitores. Não é para menos. O impressionante mundo mitológico criado pelo então professor de Oxford é povoado por hobbits, elfos, anões, magos, humanos, orcs, seres malignos e elementos mágicos. Eles vivenciam uma das mais impressionantes sagas já criadas na história da literatura. Publicado entre 1955 e 1956 em três volumes – “A Sociedade do Anel”, “As Duas Torres” e “O Retorno do Rei” –, “O Senhor dos Anéis” mostra a jornada do hobbit Frodo, que herdou o direito de tomar conta de um anel mágico que precisa ser destruído. O livro já foi interpretado como a metáfora das grandes guerras mundiais do século 20 e da ameaça de uma catástrofe nuclear – parte dele foi escrita por Tolkien durante a Segunda Guerra Mundial – e também como uma pura fantasia otimista, recheada de referências cristãs.

Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez

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O realismo mágico do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez atingiu seu apogeu com “Cem Anos de Solidão”, publicado em 1967. O livro conta, sem seguir uma linha temporal, a história de sete gerações da família Buendia na cidade mítica de Macondo. A obra faz uma alegoria da situação da América Latina ao mesclar revoluções, fantasmas, corrupção, incesto e loucura. Homens que atraem cortejos de borboletas amarelas, a perda de memória por toda a população e crianças que nascem com rabos de porcos, por serem fruto de relacionamentos incestuosos são acontecimentos que caracterizam o realismo mágico da obra. Muito da fantasia de “Cem Anos de Solidão” foi inspirado na infância de Gabriel Garcia Marquez, quando ele viveu com seus avós em Aracataca (Colômbia), um período cheio de histórias sobre fantasmas, parentes que previam a morte e conversas em código.