Introdução sobre as melhores comédias cinematográficas


as melhores comédias

Em “O Nome da Rosa”, Guilherme de Baskerville investiga uma série de misteriosos assassinatos numa abadia na Idade Média. Ele descobrirá, entre outras coisas, que os crimes foram cometidos para encobrir a existência de uma suposta comédia escrita por Aristóteles. Na trama criada por Umberto Eco, fazer rir era algo demoníaco na visão da Igreja Católica e obras com essa finalidade deveriam ser proscritas.

Imagine se esse argumento fosse baseado em fatos reais que prevalecessem até hoje. Acabaríamos não tendo a oportunidade de nos divertir em nossas idas ao cinema para assistir a filmes como “Borat: o Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão” ou “O Último Americano Virgem”. Como as narrativas humorísticas não estão banidas do cinema, a comédia tem sido um dos gêneros mais populares na história da sétima arte. Mas fazer rir não é uma tarefa tão fácil.   

Dr Fantástico
Reprodução
Cena de "Dr Fantástico", com Peter Sellers, considerada uma das melhores comédias de humor negro de todos os tempos

A comédia surgiu na Grécia antiga. No século 5 antes de Cristo, Aristófanes escreveu uma série de textos com críticas bem-humoradas a vários aspectos da sociedade grega. Um século depois de Aristófanes criar dramaturgias como “As Nuvens” e “Assembléia de Mulheres”, o filósofo Aristóteles desenvolveu a primeira concepção sobre a comédia. Para ele, o riso tinha um propósito corretivo, já que as comédias funcionavam como um espelho da sociedade humana, refletindo seus vícios e estupidez.

A comédia é essencialmente o território do humor. E o humor surge nela a partir de dois aspectos fundamentais: o intelectual, quando duas situações são percebidas como incompatíveis entre si mas são ao mesmo tempo lógicas, e o emocional, que injeta uma dinâmica de vida na estrutura intelectual construída e provoca o riso.

Ao longo da história, a comédia ganhou versões refinadas criadas por artistas geniais. As peças “A Comédia dos Erros”, de William Shakespeare, e “O Doente Imaginário”, de Molière, são exemplos desse refinamento no teatro. Na literatura, a comédia foi habilmente explorada por escritores como Mark Twain. Nas histórias em quadrinhos, uma das mais recentes artes criadas, “Calvin & Haroldo”, de Bill Watterson, é um dos bons exemplos dessa sofisticação do uso da comédia nessa linguagem.     

Se meu apartamento falasse
Reprodução
Shirley MacLaine e Jack Lemmon em "Se Meu Apartamento Falasse"

Com o advento do cinema na virada do século 19 para o 20, a comédia logo se tornou um dos gêneros mais presentes nos filmes. Em 1896, os irmãos Lumière, inventores da sétima arte, filmaram “O Regador Regado”, considerada a primeira comédia da história do cinema. Ainda na fase do filme mudo, Charlie Chaplin e Buster Keaton tornaram-se mestres na arte de fazer rir ao criarem personagens e filmes inesquecíveis, como “O Garoto” (1921) e “Sherlock Jr.” (1924). Desde então, a comédia se consolidou como um dos mais populares e bem-sucedidos gêneros cinematográficos. Na próxima página, conheça dez das melhores comédias feitas para o cinema no século 20.

Subgêneros da comédia

Nos tempos da Grécia antiga, a comédia se diferenciava da tragédia por apresentar um final em que o personagem central se dava bem, enquanto na tragédia ele se dava mal. Por isso, muitas obras ao longo da história, como “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, usam o termo comédia mesmo sem serem narrativas engraçadas. Mas, o termo se consagrou mesmo associado ao humor e como fonte provocadora do riso. Para fazer isso a comédia pode usar diferentes recursos dramáticos. Quando ela se baseia em muita movimentação física dos personagens, o que inclui pancadarias e perseguições, ela é chamada de pastelão. As comédias de Charlie Chaplin ou de “O Gordo e o Magro” são típicos exemplos de pastelão. Há também as comédias românticas, que normalmente são narrativas em torno de um casal apaixonado que por algum motivo não admite ou percebe isso. São exemplos de comédias românticas os filmes “Mensagem Para Você” e “O Casamento do Meu Melhor Amigo”. Existem as paródias, que são filmes que satirizam cenas e personagens de outros filmes, como a série “Todo Mundo em Pânico”. As comédias de humor negro são aquelas que usam recursos macabros e sádicos inseridos em cena cômicas, como é o caso de “Dr. Fantástico”. Há, por fim, as comédias mais sofisticadas que buscam o humor e a ironia em diálogos e situações que exploram a psique humana, como nos trabalhos de Woody Allen.