As dez melhores músicas dos anos 80

Autor: 
Sílvio Anaz

London Calling (The Clash)

“London Calling” é a expressão de desespero e revolta em um mundo à beira da destruição. Composta por um The Clash em ruína financeira, a canção reflete a atmosfera de deterioração econômica e social da Inglaterra às vésperas dos anos 80 e no momento da ascensão ao poder da primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher, conhecida como a “Dama de Ferro”. Com uma descrição de um cenário de conflito e caos, que reflete o lema punk do “sem futuro" (no future), a canção mostra uma visão da realidade compartilhada pela juventude das grandes metrópoles ao redor do planeta, num momento em que a esperança era escassa e o pessimismo estava em alta. “London Calling” faz parte do disco homônimo do The Clash lançado em 1979.

Capa do álbum London Calling do The Clash
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Love Will Tear Us Apart (Joy Division)

“Love Will Tear Us Apart” foi o testamento lírico de Ian Curtis para as próximas gerações. Angustiantes e caustrofóbicos, seus versos dão uma grandiosidade épica à confissão de uma paixão que chegou ao fim. Seu instrumental pesado e acelerado e a voz sombria de Curtis reforçam o tom de desespero e a fazem um dos sucessos do pós-punk britânico nas pistas de dança. A mais marcante canção do Joy Division remete ao fim do relacionamento de Curtis com sua esposa na fase que antecedeu ao seu suicídio, mas consegue ser universal e expressar a intensidade do romantismo que aflora na adolescência. Sua sonoridade, assim como em outras canções do Joy Division, influenciou não só boa parte do pop-rock dos anos 80 como também muito do que tem sido feito até hoje. “Love Will Tear Us Apart” foi lançado como single em 1980.

Billie Jean (Michael Jackson)

Um dos maiores sucessos de “Thriller”, o álbum mais importante da música pop, “Billie Jean” consagrou Michael Jackson como o rei do gênero. Seu ritmo contagiante, fruto das perfeitas linhas melódicas e batidas que saíram do baixo, da bateria e do sintetizador, simbolizou o poder da música pop a partir dos anos 80. A letra composta por Jackson recheada de metáforas sensuais fala do ritual de conquista e do envolvimento entre um casal e as conseqüências de suas inconseqüências. Além de seu sucesso como canção, “Billie Jean” revelou ao mundo o moonwalk, um dos mais famosos passos do break, dança típica do hip-hop, popularizado por Michael Jackson. O impacto de “Billie Jean” não se restringiu à música. As inovações em seu videoclipe, que marcou a entrada prá valer dos artistas negros na MTV, mudaram os paradigmas dessa linguagem. “Billie Jean” faz parte do álbum “Thriller” lançado em 1982.

Capa do álbum Syncronicity do The Police
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Álbum "Synchronicity", do The Police, que traz "Every Breath You Take"


Every Breath You Take
(The Police)

Ela tem todo o jeito de uma doce canção de amor, mas é na verdade um tanto amarga e até ligeiramente sinistra. Com um baixo preponderante, uma estrutura melódica simples e básica, “Every Breath You Take” tornou-se o maior sucesso do The Police. Inspirada no fim do casamento entre Sting e sua primeira esposa, a letra da canção pode ser interpretada como a descrição de um relacionamento obsessivo e controlador. Apesar disso, sua melodia e o lirismo de seus versos a fazem uma das mais tocantes canções de amor dos anos 80. Numa época dominada pela paranóia do Big Brother, previsto no livro “1984”, de George Orwell, nem as composições românticas escaparam ao tom de vigilância e controle que pairava. “Every Breath You Take” foi lançada no disco “Synchronicity” em 1983.

There Is a Light That Never Goes Out (The Smiths)

Capa do álbum The Queen is Dead do The Smiths
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“There Is a Light That Never Goes Out” é uma obra-prima da cultura pop. Os versos de Stephen Morrissey, um dos mais importantes e líricos letristas do rock, e a inspiração musical de Johnny Marr resultaram numa canção que mudou a vida de muitos adolescentes nos anos 80. A narrativa sobre rejeição, conflito familiar e fuga com a pessoa amada, no melhor estilo James Dean, transcendeu aquela década. A sensibilidade dos Smiths para transformar em belas canções as angústias e as melancolias juvenis tinha atingido seu ponto mais alto. O tom dramático e poético de versos como “to die by your side, is such a heavenly way to die” soava como se eles tivessem sido escritos para cada adolescente apaixonado no planeta. Uma canção sublime para todos que têm um coração batendo dentro do peito. “There Is a Light That Never Goes Out” aparece no álbum “The Queen is Dead” lançado em 1986.

Kiss (Prince)

Numa época cheia de boas novidades, Prince foi um dos mais inovadores e ousados artistas que despontaram. Seu indiscutível talento musical e sua inventividade produziram canções que misturaram e transcenderam o rock, o pop e a soul music. “Kiss” é um dos melhores exemplos de seu estilo excêntrico e revolucionário. Com uma irresistível batida funk, misturada a uma sonoridade estranhamente dançante, a canção transborda sensualidade e rapidamente atingiu o topo da parada de sucesso. Afinal, era difícil resistir ao seu balanço e à letra que falava que a garota não precisava ser bonita ou rica, que o que realmente importava era o seu beijo. “Kiss” faz parte do álbum “Parades” lançado em 1986

Walk This Way (Run DMC / Aerosmith)

O rap estava em ascensão desde o final dos anos 70, principalmente junto à população negra e pobre de Nova York. Mas foi numa inusitada fusão do rap com o rock que ele começou a ganhar o mundo. “Walk This Way” foi lançada originalmente em 1975 pelo Aerosmith. Mas em 1986, o Run DMC, um dos mais influentes grupos de rap da cena hip-hop, fez uma versão da canção que transformou o rock em rap e revolucionou ambos os gêneros. O grupo já tinha feito essa mistura em canções anteriores, mas não com o mesmo sucesso e efeito que atingiram em “Walk This Way”, na qual contaram com a colaboração dos integrantes do Aerosmith. “Walk This Way” aparece no álbum “Raising Hell” lançado em 1986.

With or Without You (U2)

Nos anos em que o U2 despontou com suas canções engajadas, como “Pride”, “Sunday Bloody Sunday” e “New Year’s Day”, é uma canção de amor da banda que figura como uma das melhores da década. Sobre um baixo pronunciado e um andamento musical crescente, os versos falam sobre a ambivalência de um relacionamento amoroso. Com um tom melancólico, Bono canta emotivamente que não pode viver com ou sem a pessoa amada. A canção foi a primeira a colocar o U2 no topo da Billboard. “With or Without You” está no álbum “The Joshua Tree” lançado em 1987.

Capa do álbum Kiss Me Kiss Me Kiss Me do The Cure
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Álbum "Kiss Me Kiss Me Kiss Me", do The Cure, que traz "Just Like Heaven"


Just Like Heaven
(The Cure)

Ela é uma das mais belas declarações de amor feitas nos anos 80. Dançante, com uma inconfundível guitarra conduzindo sua linha melódica, “Just Like Heaven” é um devaneio sobre a paixão. Os versos compostos por Robert Smith, para ou sob influência de sua namorada que o acompanhava nas gravações do The Cure no sul da França, compõem quase que um conto de fadas contemporâneo. Um delírio que mistura sonho e realidade para cantar sobre uma paixão tão bela e intensa quanto o céu. Versos que têm o poder de construir em nossa imaginação cenas cinematográficas comparáveis aos dos melhores filmes românticos já realizados. “Just Like Heaven” foi lançada no álbum “Kiss Me Kiss Me Kiss Me” de 1987.

Like a Prayer (Madonna)

Capa do álbum Like a Prayer de Madonna
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Os últimos momentos dos anos 80 foram coroados por um dos melhores trabalhos da rainha do pop. Definitivamente, a música pop se consagrava como arte num disco que misturou rock, soul music e gospel. “Like a Prayer” foi a mais bem-sucedida e polêmica canção do álbum. A sacrilégica ambigüidade da letra, que mistura elementos sagrados e profanos, o coro gospel, a batida sensualmente dançante, o uso de elementos da música eletrônica e um refrão prá cima e grudento, como requer uma boa canção pop, fizeram de “Like a Prayer” um sucesso imediato. O polêmico videoclipe que acompanhou o lançamento da música trouxe cenas sensuais envolvendo Madonna e um santo negro, ela dançando em frente a cruzes queimando, referência aos estigmas de Cristo e masturbação no interior de uma igreja. “Like a Prayer” faz parte do álbum homônimo lançado em 1989.