Introdução a Mário de Andrade


Mário de Andrade

Modernismo, no Brasil, começa com M de Mário de Andrade. Brincando de inventar palavras, tecendo linhas imaginárias entre desvarios paulistanos e fantasias folclóricas dos confins do Brasil, transitando entre música, literatura e crítica com a mesma desenvoltura, Mário deu corpo e voz à arte moderna brasileira no início do século 20, inaugurando uma etapa fundamental para o desenvolvimento de uma linguagem literária própria do nosso país.

Cândido Portinari Antônio Bento Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco  em 1936
Reprodução
Mário de Andrade (de óculos) em 1936,
entre Cândido Portinari, Antônio Bento e Rodrigo Melo Franco


Intelectual consciente das desigualdades sociais, preocupado com as mazelas e o destino incerto do Brasil, Mário de Andrade buscou fazer da arte e da cultura um espelho da diversidade nacional, refletindo todas as cores, tipos, faces e vozes do povo brasileiro.

Nascido em 9 de outubro de 1893, na cidade de São Paulo, Mário Raul de Moraes Andrade escreve seu primeiro poema, já cantado e com palavras inventadas, aos 11 anos de idade. Apesar do estranhamento da mãe, diante da precoce originalidade poética do filho, Mário nunca mais parou de escrever. Não só poesia, mas também romances, contos, crônicas, ensaios e cartas, muitas cartas. São famosas e intensas as trocas de correspondência entre Mário de Andrade e Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Miranda, Alphonsus de Guimaraens Filho, Álvaro Lins, entre outros.

Bem jovem, Mário inicia seu trabalho com a literatura, escrevendo críticas para jornais e revistas. Em 1917, publica seu primeiro livro de poesia, “Há uma gota de sangue em cada poema”, sob o pseudônimo de Mário Sobral. Em 1922, ao lado de Oswald de Andrade e outros artistas e intelectuais, envolve-se na preparação da Semana de Arte Moderna, evento que o projetou para uma intensa e rica participação na vida cultural do país. Em 1927, Mário de Andrade publica seu primeiro romance, "Amar, Verbo Intransitivo", uma crítica ferrenha à estrutura familiar burguesa paulistana, que gerou muita polêmica na época.

Seu grande interesse pelo folclore brasileiro, que o levou a pesquisar o tema ao longo de toda a sua vida, aparece pela primeira vez no livro “Clã do Jabuti” (1927). Em “Macunaíma: o herói sem nenhum caráter” (1928), a obra-prima de Mário de Andrade, a paixão pelo folclore e o profundo conhecimento que o autor tinha dos mitos e lendas ameríndias se transformam numa originalíssima rapsódia brasileira, marco da literatura modernista no país:

"No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma".

Além de ficcionista, Mário de Andrade deu importante contribuição aos estudos musicais. Foi professor de música e, por meio de seu “Ensaio sobre a Música Brasileira” (1928), exerceu forte influência entre grandes compositores brasileiros, como Heitor Villa-Lobos e Francisco Mignone, entre outros. Também lecionou na Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, exerceu cargos públicos na área cultural e participou, intensamente, das principais revistas modernistas, como "Klaxon", "Estética" e "Terra Roxa e Outras Terras". Como contista, seus trabalhos mais importantes estão em “Belazarte”, no qual a denúncia das desigualdades sociais é o centro temático, e “Contos Novos”, com textos reunidos postumamente.

Bibliografia de Mário de Andrade

Há uma gota de sangue em cada poema (1917)
Paulicéia desvairada (1922)
A escrava que não é Isaura (1925)
Losango cáqui (1926)
Primeiro andar (1926)
Clã do Jabuti (1927)
Amar, verbo intransitivo (1927)
Ensaio sobre a música brasileira (1928)
Macunaíma (1928)
Compêndio da história da música (1929)
Modinhas imperiais (1930)
Remate de males (1930)
Música, doce música (1933)
Belazarte (1934)
O Aleijadinho de Álvares de Azevedo (1935)
Lasar Segall (1935)
Música do Brasil (1941)
Poesias (1941)
Pequena história da música brasileira (1942)
O movimento modernista (1942)
O baile das quatro artes (1943)
Os filhos da Candinha (1943)
Aspectos da literatura brasileira (1943)
O empalhador de passarinhos (1944)
Lira paulistana (1945)
O carro da miséria (1947)
Contos novos (1947)
O banquete (1978)
Será o Benedito! (1992)