Quadrinhos japoneses: da caricatura ao mangá moderno

Os quadrinhos japoneses, assim como em outras culturas, utilizam texto e imagem para contar uma história. Os primeiros registros desta forma de arte no Japão são do século 11, quando o monge zen-budista Kakuyu Toba imprimiu, em rolos de papel de arroz, uma sátira com personagens da época. Durante os séculos seguintes, outras produções do mesmo estilo surgiram por todo o país e tornaram-se populares. Mas o termo mangá, que quer dizer “desenhos irresponsáveis”, só surgiria no século 19, criado por Katsushita Hokusai, gravurista de uma tipo de arte feita em madeira chamada "ukyiyo-e". A partir de 1814, ele produziu uma obra composta por 15 volumes com charges de conteúdo político e social, chamando-a de "Hokusai Manga".

Death Note
Reprodução
"Bastard" (esquerda) conta a história de Dark Schneider e a tentativa da organização Shitenno de libertar o deus maligno Anthrathax; "Death Note" (direita) é um thriller policial recheado de mistério e suspense com uma temática que conquistou fãs de todas as idades

O termo mangá, no entanto, só foi usado para designar histórias em quadrinhos (com quadros seqüenciais, personagens fixos e histórias em série) em 1853, pelo desenhista Rakuten Kitazawa. Ao lançar o que seria considerado o primeiro exemplar do gênero, a “Togosaku to Mokube no Tokyo Kenbutsu” (“A Viagem de Togosaku e Mokube a Tóquio”), resgatou a palavra e a tornou conhecida. A partir de então, influenciados por jornais e revistas estrangeiros, principalmente europeus, toda uma geração de desenhistas japoneses passou a produzir caricaturas sobre a sociedade e os costumes da época. Atraíram com isso mais leitores e tornaram os mangás bastante populares já nos anos 20. Na época, além de histórias para adultos, os quadrinhos passaram a abordar também temas infantis.

X
View Enlarged Image
Reprodução
Ilustração no mangá "X", um shonen cujo tema é a destruição do planeta


Mas o surgimento do mangá, com os elementos que o caracterizam hoje, só ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial. Época em que os Estados Unidos, o grande vencedor do conflito, exportaram não apenas capital para a reconstrução dos países destruídos pela guerra. Disseminaram também produtos da cultura americana, entre eles os comics, através da nascente indústria cultural já a partir dos anos 40. Na época, o desenhista Osamu Tezuka, influenciado principalmente pelos desenhos de Walt Disney e pelo cinema, criou a estética que caracteriza os quadrinhos japoneses até hoje.

Evangelion
View Enlarged Image
Reprodução

"Evangelion", um mangá que retrata um mundo quase sem crianças


Com a utilização de técnicas cinematográficas (alternância de planos e enquadramentos), a introdução de movimento nas histórias através de efeitos gráficos, com a criação de temas fantasiosos e personagens com olhos enormes e expressivos, ele revolucionou a forma de fazer quadrinhos. Sua primeira história com esta linguagem, “Shin Takarajima” (“Nova Ilha do Tesouro”), de 1947, ajudou a transformar o mangá em mania nacional no Japão e o consagrou como o “Deus” do gênero. São dele os clássicos que iniciaram várias gerações na leitura do mangá, como “Jungle Taitei” (“Kimba: O Leão Branco”), “Tetsuwam Atomu” (“Astro Boy”) e “Ribon no Kishi” (“A Princesa e o Cavaleiro”).

Inspirados em suas criações, toda uma geração de artistas japoneses surgiu, como Reiji Matsumoto (“Galaxy Express 999”, “Patrulha Estelar”, “Capitão Harlock”), Shotaro Ishinomori (“Kamen Rider”, “Cyborg 009”, “Go Ranger”) e a dupla Fujiko-Fujio (“Doraemon”, “Super Dínamo”). Esses "mangakas" (como são chamados os autores de mangá) contribuíram para o desenvolvimento das HQs japonesas e para a diversificação do público. Eles tornaram os mangás não só um enorme sucesso editorial, mas também um fenômeno cultural.

O melhor dos mangás e animês

A seguir, conheça alguns dos mangás, animês e seriados que fizeram sucesso e ajudaram a divulgar a cultura pop japonesa mundo afora:

Mangás:
LOBO SOLITÁRIO, de Kazuo Koike e Goseki Kojima (1970)
AKIRA, de Katsuhiro Otomo (1982)
DRAGON BALL Z, de Akira Toriyama (1984)
SAMURAI X, de Nobuhiro Watsuki (1994)
VAGABOND, de Takehiko Inoue (1998)

Animês e seriados:
NATIONAL KID, de Daiji Kazumini (1960)
A PRINCESA E O CAVALEIRO, de Osamu Tezuka (1967)
SPEED RACER, de Tatsuo Yoshida (1967)
DON DRÁCULA, de Osamu Tezuka (1979)
JASPION , da Toei Company (1985)
CAVALEIROS DO ZODÍACO, de Masami Kurumada (1986)
DRAGON BALL Z, de Akira Toriyama (1989)
POKÉMON, de Satoshi Takiri (1998)