Os mais importantes gibis: dos anos 60 aos anos 90

Fritz, The Cat (1969)

Capa da edição brasileira de Fritz The Cat
Reprodução
Capa da edição brasileira
de "Fritz, The Cat"

Os quadrinhos de Robert Crumb são uma das mais brilhantes expressões da revolução comportamental e política dos anos 60. Criador de tipos como Mr. Natural e de gibis como Zap Comix, Crumb alcançou o auge da popularidade com “Fritz, the Cat”, um personagem que criou na sua adolescência, mas que só teve um gibi próprio lançado em 1969, na efervescência da contracultura hippie. O gato Fritz pregava o amor livre, o uso de drogas e a contestação do modo de vida americano. O underground chegava definitivamente aos quadrinhos. O sucesso de Fritz, the Cat foi tal que virou filme nos anos 70. Mas, Crumb tratou logo de dar um fim no estrelato hollywoodiano do personagem e criou uma historinha onde Fritz é assassinado por uma ex-namorada ciumenta.



Um Contrato com Deus (1978)

Capa da graphic novel Um Contrato com Deus
Reprodução
Capa da graphic novel
"Um Contrato com Deus",
em edição da Devir

Will Eisner já tinha revolucionado os quadrinhos com “The Spirit” nos anos 40. Três décadas depois ele voltou a fazê-lo. “Um Contrato com Deus” lançou as graphic novels, um novo formato e também uma nova linguagem para os quadrinhos que daria um novo status para as HQs a partir dos anos 80. “Um Contrato com Deus” é composta por quatro contos que se passam em um cortiço no bairro novaiorquino do Bronx. A primeira historinha que dá título à graphic novel mostra o acerto de contas entre um homem bom, que perde sua única filha, e Deus. Em “O Cantor de Rua”, vemos o encontro de um bêbado que canta em troca de esmolas e uma cantora lírica. “O Zelador” mostra como uma alma dura pode ser sensibilizada e “Cookalein” uma visão sobre os encontros e desencontros de pessoas. Em “Um Contrato com Deus”, Eisner recria suas memórias de infância e mostra seu talento como contador de histórias.



Batman – O Cavaleiro das Trevas (1986)

Capara de reedição de Batman O Cavaleiro das Trevas da Editora Abril
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Capa de reedição de "O Cavaleiro das Trevas", da Editora Abril
A criação de Bob Kane nos anos 30 tinha perdido muito de sua aura graças a gibis com roteiros pobres e ilustrações preguiçosas e uma série televisiva que transformou o homem morcego em motivo de piadas. Mas, o lançamento de uma mini-série em quatro fascículos no formato graphic novel de autoria de Frank Miller mudaria radicalmente a imagem de Batman. Quando “O Cavaleiro das Trevas” chegou às bancas inaugurou-se a fase dos quadrinhos de super-heróis para adultos. Miller construiu um Batman à beira da aposentadoria, atormentado psicologicamente, sombrio, com ilustrações inspiradas na arte do mangá, quase que mitológico. A obra marcou o início de uma nova revolução na linguagem dos quadrinhos e influenciou outras releituras primorosas do homem morcego que viriam a seguir, como “A Piada Mortal” (1989), de Alan Moore e Brian Bolland, e “Asilo Arkhan”, de Grant Morrison e Dave McKean.



Watchmen (1986 – 1987)

watchmen
Reprodução / DC Comics
Capas das 12 edições originais de Watchmen

Watchmen” é para muitos a obra-prima das obras-primas dos quadrinhos. Roteiro de Alan Moore e desenhos de Dave Gibbons narram a história de super-heróis aposentados num mundo à beira da destruição total. A graphic novel é composta por 12 fascículos, que foram lançados originalmente entre setembro de 1986 e outubro de 1987. A complexidade e a densidade da trama e dos personagens desenvolvidos por Moore colocam “Watchmen” no mesmo patamar de algumas das mais importantes obras literárias de todos os tempos. Além disso, Gibbons introduziu vários recursos cinematográficos nas suas ilustrações, que deram um novo dinamismo aos quadrinhos. Moore, ainda, utilizou técnicas típicas da literatura pós-moderna e procurou estabelecer uma interação entre realidade histórica e ficção na narrativa. A revolução iniciada por Frank Miller em “O Cavaleiro das Trevas” atingiu seu ápice em “Watchmen”.



Sandman (1989 – 1996)

Sandman
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"Terra dos Sonhos" (Conrad, 2005)

Neil Gaiman é um dos mais importantes roteiristas da história das HQs. Seu talento começou a ser reconhecido com a série “Sandman” e, desde então, extrapolou a nona arte para chegar ao cinema e à literatura. Personagem que vem das lendas anglo-saxônicas, Sandman tem suas origens folclóricas ligadas aos sonhos. No fim dos anos 30, ele virou super-herói. Mas a releitura que Gaiman fez do personagem o diferenciou totalmente da visão de um herói mascarado e criou uma mitologia contemporânea, na qual Sandman é um entre sete entidades divinas que cuidam de nossos destinos. Senhor dos sonhos, o Sandman de Gaiman traz uma mistura de fantasia, mistério, horror e temas mitológicos. Originalmente as histórias foram publicadas em 75 fascículos entre 1989 e 1996 no formato graphic novel. “Sandman” recebeu 30 Eisner Awards, a mais importante premiação dos quadrinhos.