Os mais importantes gibis: dos anos 30 aos anos 50
Príncipe Valente (1937 – 1971) Reprodução Capa de reedição brasileira pela Opera Graphica
|
O artista canadense
Hal Foster já tinha seu talento reconhecido pelas ilustrações das tirinhas de Tarzan quando emplacou nos jornais de William Randolph Hearst (magnata da mídia que inspirou o filme “
Cidadão Kane”) uma história inteiramente sua. Nascia assim “Príncipe Valente” uma das mais requintadas obras das HQs. Foster uniu seu excepcional talento de ilustrador a uma pesquisa detalhada da história e da cultura para oferecer uma nova visão sobre a lenda do Rei Artur. Reconhecido como um dos mais importantes ilustradores da história dos quadrinhos, o trabalho de Foster em “Príncipe Valente” influenciou várias gerações de artistas, como Will Eisner e Carl Barks. A narrativa criada por Foster contou a saga medieval de um príncipe nórdico que chegou jovem a Camelot para se tornar um dos cavaleiros da távola redonda. Foster escreveu a história sequencialmente entre 1937 e 1971.
Action Comics n.º 1 (1938) Reprodução Capa do Action Comics n.º 1 que trouxe a primeira aparição do Super-Homem em gibis
|
Ele foi criado por
Jerry Siegel e
Joe Shuster em 1933, mas ninguém topava publicá-lo. Até que na primeira edição do Action Comics, ele não só foi publicado como ganhou a capa do gibi. Desde então, a saga do bebê que foi enviado de Krypton, aterrissou em Smalville, foi adotado pelo casal Kent e cresceu revelando seus superpoderes virou uma lenda moderna. O
Super-Homem era a redenção do homem comum que se sentia impotente num mundo cheio de injustiças e ameaças. Além dos quadrinhos do “homem de aço” (na verdade, uma edição de tirinhas publicadas em jornais), o primeiro número do Action Comics trouxe também aventuras do cowboy Chuck Dawson e do mágico Zatara, entre outras. Mas, seu mérito maior foi ser o berço de um dos mais importantes mitos modernos. O impacto do Super-Homem na cultura terráquea deve ter sido bem maior do que o seu pai, o cientista Jor-El, imaginava. O super-herói não só tem entretido e alimentado a imaginação de gerações como também é uma imensa fonte de rendimentos para a indústria de entretenimento.
Detective Comics n.º 27 (1939) Reprodução
|
Assim como o Action Comics n.º 1, a importância do Detective Comics n.º 27 está em ser o gibi que lançou um dos mais populares super-heróis de todos os tempos. Publicado desde março de 1937 até hoje, o Detective Comics trouxe na capa que foi às bancas em maio de 1939 o anúncio da primeira aventura de
Batman. O homem morcego logo se tornaria o principal personagem da Detective Comics, assim como foi o Super-Homem para o Action Comics. Criado por
Bob Kane, Batman é o alter-ego de Bruce Wayne, um rico homem de negócios e playboy que traumatizado pelo assassinato dos pais dedica-se a lutar contra o crime em Gotham City. O herói logo se tornou um sucesso e rivaliza com o Super-Homem como um dos mais populares e rentáveis super-heróis de todos os tempos.
The Spirit (1940 – 1952) Reprodução / Editora Abril Capa da edição comemorativa dos 50 anos de The Spirit
|
De 1940 a 1952,
Will Eisner criou e desenhou as histórias de um herói mulherengo e sem poderes especiais que mudou o status e a trajetória dos quadrinhos. O ex-detetive Denny Colt simulou a própria morte para virar “
The Spirit”, um novo combatente ao crime em Central City. As aventuras originais completas de “The Spirit” estão sendo republicadas pela DC Comics desde 2000 na série “Will Eisner’s The Spirit Archives”. Para Álvaro de Moya, um dos mais importantes experts em HQs no mundo, o herói é “uma das melhores criações das
histórias em quadrinhos. Obra absolutamente genial. Está, para os
comics, como Cidadão Kane para o cinema. Obra antológica. Tomadas, fusões, cortes, ângulos insólitos, uso do som e das sombras, em linguagem revolucionária visualmente. Apoiada em textos e situações que lembram Maupassant, Tchecov e O. Henry” (fonte: MOYA). Ao introduzir os elementos cinematográficos na linguagem dos quadrinhos, Eisner revolucionou pela primeira vez a nona arte.
Donald Duck ant the Mummy’s Ring (1943) Reprodução Capa original da edição especial de "Donald Duck and the Mummy's Ring"
|
O surgimento de Mickey Mouse e sua turma nos gibis por si só já era um marco para os quadrinhos. Mas, foi o talento de um ex-cowboy do Oregon (EUA) que fez do Pato Donald uma das mais marcantes criações do império Disney.
Carl Barks escreveu e desenhou anonimamente, entre as décadas de 40 e 60, centenas de histórias do irascível e atrapalhado pato. Seu talento começou a ser efetivamente reconhecido com a publicação de um gibi em edição especial em 1943 que trazia a historinha “Donald Duck and the Mummy’s Ring”. O sucesso foi imediato e Barks contribuiria ainda nos anos seguintes com a criação de outros personagens inesquecíveis da Disney, como o milionário e muquirana Tio Patinhas, o inventor Professor Pardal, a Maga Patalógica e Gastão, o primo sortudo de Donald. As aventuras criadas e desenhadas pelo gênio criativo de Barks para os personagens de Patópolis constituíram a época de ouro dos quadrinhos da Disney. E uma boa amostra disso estava em “Donald Duck and the Mummy’s Ring”.