Introdução


Machado de Assis

A alcunha de “bruxo”, diz-se, Machado de Assis recebeu pela primeira vez de outro criador de mesma grandeza, Carlos Drummond de Andrade, que lhe dedicou um longo poema. Era final dos anos 50, completava-se meio século da morte do escritor fluminense e àquela altura os críticos davam-se conta de que ele era ainda maior do que se pensou quando vivia – e, convém lembrar, não foi pouco seu sucesso desde a estréia.

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Foto: Acervo Academia Brasileira de Letras
Machado de Assis é um dos cem escritores mais geniais de
todos os tempos, segundo o crítico norte-americano Harold Bloom

Parece existir mesmo alguma feitiçaria: o passar do tempo só trouxe mais glória e frescor ao autor de “Dom Casmurro”. No centenário de sua morte, ele continua, tal como nos versos de Drummond, “alusivo e zombeteiro”, sem pousar em nenhum cemitério, mas sim “onde o diabo joga dama com o destino”.

Ou melhor, é possível encontrá-lo, redivivo, em praticamente todo lugar que se vá, de livrarias a centros culturais, de Manaus a Porto Alegre: há uma infinidade de seminários, reedições, novas antologias, recriações de contos, estudos críticos aprofundados e até festas, com DJ tocando, em sua homenagem. Na FLIP e na Bienal do Livro de 2008, os debates giraram em torno dele. A Academia Brasileira de Letras (ABL) programou um vasto calendário. Não há editora do país que não tenha algum lançamento relacionado a seu nome: “Almanaque Machado de Assis”, de Luiz Antonio Aguiar (Record), “O homem célebre: Machado recriado”, por dez autores brasileiros (Publifolha), “O plágio como criação”, de João Cezar de Castro Rocha (Alameda), a reedição de “Capitu”, de Paulo Emílio Salles Gomes e Lygia Fagundes Telles (Cosac) são alguns poucos exemplos. Numa conta rápida, chega-se fácil a mais de duas dezenas de títulos.

Toda essa movimentação em torno do centenário de sua morte é mais uma prova da importância que a obra de Machado de Assis tem para a literatura brasileira. Descubra nas páginas a seguir mais sobre a trajetória e o valor literário desse extraordinário escritor.

Machado de Assis

nascimento: 21 de junho de 1839
morte: 29 de setembro de 1908
primeira obras: "Desencantos" e "A Queda que as Mulheres têm para os Tolos" (1861)
estilos: conto, crônica, romance, poesia, crítica, dramaturgia e traduções
gêneros: romantismo e realismo
alguns destaques: "Contos Fluminenses" (1870), "Histórias da Meia-Noite" (1873), "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (1881), "Quincas Borba" (1891), "Dom Casmurro" (1899), "Páginas Recolhidas", "Relíquias de Casa Velha" (1906) e "Memorial de Aires" (1908)